21 de out de 2017

ROCINHA: TRINTA ANOS DE MUITO SANGUE E MUITAS PROMESSAS

ROCINHA: PARAÍSO TROPICAL OU INFERNO ASTRAL?
MORADORES DIVIDIDOS ENTRE A ESPERANÇA E O DESCRÉDITO
A "Maior Favela da América do Sul" como é conhecida por seus mais de 120 mil moradores, situada entre a Gávea e São Conrado, se não é a maior é sem sombra de dúvida a mais bela de todas. O por do sol do alto da Rua Um, ou do Laboriaux é inenarrável, quem viu pode se orgulhar de ter vivido um dos mais belos espetáculos de todo o planeta, mas infelizmente isto só é possível com a autorização do eventual dono do morro, principalmente quando a disputa pelos pontos de venda de drogas se transforma em uma disputa de sangue, como nos dias de hoje entre o bando de Rogério 157 e o bando de Antônio Bonfim Lopes o Nem.
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A "Mina de Ouro" como foi chamada pela detetive inspetora Marina Magessi sempre foi alvo de uma disputa entre grupos que desejam o monopólio da exploração do comércio de venda de drogas, a varejo, na imensa favela e das altíssimas taxas de lucro, milhões de reais conforme afirmação do governador Luiz Fernando Pezão , conhecedor dos problemas da Rocinha. Desde a "Era Denys"   nos anos oitenta que assumiu o controle após afastar seus concorrentes, e se livrar de seu principal opositor o nordestino Zé do Queijo, que invasões, seja por parte do aparato repressivo do Estado, seja por redes criminais contrárias, que o medo impera na localidade. Muitas disputas entre redes criminais pelo controle das inúmeras "bocas de fumo" se sucederam ao longo das três décadas. Quem não se recorda da disputa de sangue entre Luciano Barbosa da Silva o Lulu ou Bigode para os mais chegados e Eduíno Eustáquio o Dedé que começou em uma Semana Santa de abril de 2004, e deixou um rastro de destruição. Assim como agora, nos novos tempos envelhecidos do século XXI Lulu era da rede criminal ADA e Dedé do Comando Vermelho, no fundo uma luta entre facções.
Enterro de Maria Helena foto Alcyr Cavalcanti 1987 all rights reserved
 
 Comecei a ver e sentir ao vivo e a cores os inúmeros problemas que afligem um número incontável de moradores na cobertura jornalística para o Jornal do Brasil, na manhã do dia 12 de novembro de 1987 enterro de sua líder comunitária Maria Helena pranteada até os dias de hoje. Ela foi assassinada no seu pequeno apartamento na Curva do S deixando dúvidas até hoje sobre os motivos de sua morte. Uma coisa é certa sua morte foi mais um capítulo pela luta pelo poder que permanece até os dias de hoje. Para a líder comunitária Maria Elísia Pirozzi a Dona Elisa a Rocinha só teve duas autênticas lideranças que ficarão para sempre na lembrança como autênticos socialistas dividindo com os pobres tudo o que possuíam: Maria Helena Pereira 27 anos e Sérgio Ferreira da Silva o Bolado 21 anos, chefe do narcotráfico, ambos assassinados.
A Rocinha é uma localidade considerada como bairro por um decreto, mas que tem inúmeras áreas características de favela, em seus inúmeros becos e vielas insalubres totalmente sem urbanização. Muitas promessas foram feitas seja pelos presidentes, governadores ou prefeitos que se sucederam ao longo dessas três décadas mas muito pouco ou quase nada foi cumprido. Os sucessivos programas de crescimento PAC-1, PAC-2, PAC-3 foram alardeados em muita festa, mas muito pouca coisa foi feita, o PAC-1 que veio a trazer muitas esperanças tem ainda obras incompletas e outras que não saíram do papel, embora R$ milhões tenham desaparecido como em um passe de mágica. As obras em continuação do PAC-2 e PAC-3  talvez nunca mais sejam realizadas.
 Trinta anos de muito sangue a também de promessas, muitas promessas. Vem aí mais uma eleição, novas mentiras vão ser despejadas com o auxílio de inescrupulosos moradores locais, que talvez não sejam tão inescrupulosos assim, mas iludidos e quem sabe apenas desesperados por tão ter a quem recorrer. Os milhares de trabalhadores que residem em seus dezessete sub bairros em mais de 26 mil unidades habitacionais e sentem na própria carne mais uma invasão, mais uma luta fratricida,  continuam sonhando com a tão desejada Paz. Só esperam que uma pequena parte das promessas feitas, de maneira irresponsável pelos governantes das três esferas sejam cumpridas, para enfim poderem viver como qualquer cidadão dessa imensa bela e ao mesmo tempo caótica e às vezes imunda Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, e como diria o poeta Cidade Maravilha da Beleza e do Caos.
 

16 de out de 2017

ENCONTRO SECRETO EM UMA NOITE DE NATAL

INIMIGOS CORDIAIS FAZEM ENCONTRO NO NATAL E NÃO TROCAM PRESENTES
 
"O Jornalismo é o único rascunho da História (e não o primeiro) , porque os indícios
históricos são perecíveis. Podem desaparecer. Se não forem registrados por alguém
podem sumir para sempre. Se perdermos todos os registros históricos- e de fato perdemos
a maioria- o que de fato poderemos dizer sobre a história? O que de fato poderemos
dizer sobre ela ?"
Errol Morris , Revista ZUM abril/2012

UM ENCONTRO E MUITAS PERGUNTAS
Era a Noite de Natal de 1982, porque inimigos históricos se encontrariam em uma noite em que todos estavam a festejar o Nascimento de Cristo?  Porque nada foi publicado se uma equipe da TV Globo e uma equipe do Jornal O Globo foram chamados e  tudo registraram? Porque um jovem e promissor repórter Luiz Erlanger, anos depois diretor de jornalismo da emissora de TV designado para a cobertura jornalística fez um belo texto e nada foi publicado?
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Mas, as imagens da situação até certo ponto inusitada ficaram guardadas, como prova documental em um possível julgamento para a história.
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Era um final de tarde do dia 24 de dezembro de 1982, as celebrações do Nascimento de Cristo começavam. Eu estava em um plantão no departamento fotográfico de O Globo à espera do que pudesse acontecer, contava os minutos para poder ir para casa festejar com minha mulher e minhas filhas. Era o único repórter fotográfico à disposição em uma escala reduzida, muitos estavam de folga para trabalhar no Ano Novo, uns poucos estavam ainda em algum acontecimento ou já estavam liberados. O jovem  repórter Luiz Erlanger entra na Fotografia e pede para eu vestir um paletó e colocar o acessório obrigatório para a ocasião, a gravata. Deveríamos ir até o gabinete do Doutor Roberto Marinho na TV Globo no Jardim Botânico, à serviço da diretoria.
Depois de algum tempo fomos chamados Erlanger, eu e uma equipe de TV da emissora. No gabinete estavam uns assessores, Doutor Roberto e o Governador Leonel Brizola, um desafeto desde a última eleição por causa do "Caso Proconsult" que tinha como alvo a votação para o Governo do Estado do Rio de Janeiro. Comecei a trabalhar clicando minha velha e possante Nikon F2 acoplada com flash Metz e carregada com o melhor filme para reportagens o Tri-X da Kodak, sempre procurando estar atento a tudo, mas não dava para ouvir a conversação, nós estávamos a uma certa distancia. Após algum tempo, o assessor pediu que nos retirássemos, agradeceu em nome do patrão e esperou nossa saída. Todos se retiraram, ficaram dois assessores doutor Roberto e o Engenheiro Brizola. Me fiz de surdo e quase morto, e fiquei em um canto, o assessor fez com a mão que eu me retirasse, me fiz de cego e continuei no meu cantinho. Tinha sido socializado a fazer sempre que possível a melhor imagem, a equipe sob a editoria de Erno Schneider era muito exigida. Fui ficando, nas sombras, nos cantos, furtivamente a procurar a invisibilidade e ter o alvo bem visível, à maneira do bom caçador de imagens. Chegou a hora das despedidas, continuei acompanhando (Bad Company) até as cordiais, ou formais despedidas no elevador e fomos para a redação na Rua Irineu Marinho para quem sabe publicar algo em destaque. Tremendo engano, nada foi publicado, nem uma linha sequer para a frustração nossa. Luiz Erlanger deve ter feito um belo texto, e minhas imagens foram bem reveladas, mas nada de publicação, a imagem era indesejada, ou quem sabe proibida.
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Guardei alguns negativos, sabia da importância das imagens entre duas pessoas que compunham a elite dirigente e os rumos de um país, cada um a seu modo, cada um com seu poder, cada um com seus compromissos.  As perguntas no início do texto continuam ainda sem resposta, os dois atores principais faleceram, o partido trabalhista no qual Brizola era o ícone não é mais o mesmo, a correlação de forças é bem outra. As Organizações Globo cresceram, são tidas como uma enorme força decisória, Roberto Marinho morreu, mas os três filhos manejam habilmente seus negócios. Os tempos são outros, mas o antagonismo, as críticas de ambos os lados continuam.
Nos novos  tempos envelhecidos do século XXI fala-se muito em "arco de alianças" em "democracia de coalizão" em "democracia de cooptação", em alguns casos palavras ditas sem sentido, apenas justificativa para alguns negócios sombrios. Nos novos tempos da pós-verdade, da verdade relativa muito se fala e pouco ou nada se diz, são tempos envelhecidos e carcomidos onde "jornalistas amestrados" fazem malabarismos verbais para interpretações que só a eles interessam .   As fotos tem várias interpretações, várias leituras, a Fotografia é polissêmica, mas  estão aí para uma análise, ou quem sabe para um julgamento.

11 de out de 2017

ELIMINATÓRIAS SULAMERICANAS DA COPA 2018

LIONEL MESSI "LA PULGA"CLASSIFICA ARGENTINA PARA A COPA DA RÚSSIA COMO CABEÇA DE CHAVE
O MELHOR JOGADOR DO MUNDO CARREGOU O TIME NAS COSTAS
BRASIL, URUGUAI, ARGENTINA, COLÔMBIA  CLASSIFICADOS, PERU FOI PRA  REPESCAGEM
Quem tem Lionel Messi como jogador tem tudo, ou pelo menos 95% de um time de futebol. Com atuação primorosa de  Leonel Messi que marcou os gols da Argentina contra o Equador  e salvou a seleção duas vezes campeã do mundo (1978 e 1986)  de um vexame histórico em Quito. A seleção portenha vinha jogando muito mal, não conseguia vencer e mostrou a Messi dependência principalmente depois do empate com a Venezuela em Buenos Aires. Nos jogos anteriores Messi deixava seus atacantes na cara do gol, mas a bola não entrava. Então  Pulga, o melhor jogador do mundo, comparado a Diego Armando Maradona fez três gols e carimbou o passaporte da seleção portenha dirigida por Jorge Sampaoli contratado para colocar a Argentina na Copa. Messi  tirou de vez todas as dúvidas se ele de fato é ou não um jogador de seleção .
O Brasil já classificado passou fácil pelo Chile, na Arena Palmeiras em São Paulo, e venceu por 3x0 com gols de Gabriel Jesus e Paulinho na seleção comandada pelo técnico Tite. Uruguai passou fácil pela Bolívia e foi o segundo colocado nas eliminatórias sul americana enquanto a Colômbia completou os quatro sul americanos classificados, enquanto o Peru vai para a repescagem. A surpresa negativa foi a eliminação do Chile seleção duas vezes campeã da Copa América e que ficou fora da Copa 2018.  Tem festa em Buenos Aires pela noite a dentro e Messi mostrou porque foi escolhido cinco vezes o melhor do mundo e merecidamente vai merecer uma estátua em sua terra. Agora é muita preparação para a "Batalha de Moscou".

6 de out de 2017

O JOGO SUJO DA OLIMPÍADA

A "OPERAÇÃO UNFAIRPLAY" MOSTRA O LADO OBSCURO DOS JOGOS DE 2016
O JOGO SUJO DE UM LEGADO NADA OLÍMPICO ONDE OS ATLETAS SÃO OS MAIORES PREJUDICADOS

O Brasil agora não é mais o paraíso para os corruptos
Procuradora Fabiana Schneider

Superior Tribunal de Justiça-STJ mandou soltar o presidente do COB que está preso em uma carceragem em Benfica. Nélio Machado e uma equipe de advogados  espera com muita alegria a soltura de Nuzman. O Barão de Coubertin deve estar se revirando no túmulo. O "Espírito Olímpico" cujo lema era "O importante é competir" ficou como um joguinho ingênuo de palavras massacrado pela sanha de um grupo de agiotas perfeitamente inseridos no jogo sujo do esporte internacional. Há décadas exercendo seu mandarinato no esporte que já foi amador, Carlos Arthur Nuzman está preso em Benfica sob a acusação de ser o elo principal de um grupo que há tempos contamina os esportes que já foram feitos por amor e muito suor. A "Operação Unfair Play" de fato é um jogo muito sujo onde dirigentes manipulam quase tudo e acumulam barras de ouro, enquanto atletas treinam á base de muito sacrifício para disputar com milhares de outros atletas a competição digna em uma luta  por uma pequenina medalha que pode ou não ser de ouro. Para eles a importância é a competição, e se possível vencer, subir ao pódio, o resto é secundário. São apenas segundos de fama, nem mesmo os quinze minutos de fama  pregados por Andy Warhol. O esforço sobre humano feito pelos atletas que participaram dos Jogos e em especial os atletas para olímpicos tem de ser levado em conta e os dirigentes que participaram ativamente dos acordos escusos e das irregularidades que ocorreram devem ser todos julgados e sumariamente condenados pela justiça
chama olímpica foto Alcyr Cavalcanti all rights reserved
 
A Operação que está sendo desenvolvida pela Policia Federal veio trazer à tona um grande esquema de corrupção que envolve uma quadrilha internacional cujos desvios vieram a ser revelados agora e praticados durante os Jogos Olímpicos 2016 no Rio de Janeiro. O presidente do Comitê Olímpico Brasileiro-COB Carlos Nuzman teve seu patrimônio aumentado em uma proporção geométrica em mais de 500% em dez anos, de 2006 a 2016. Nuzman era também o presidente do Comitê Rio 2016, tinha sob seu controle um evento onde estavam a ser empregados milhões de U$ dólares. O chamado Legado Olímpico onde algumas melhorias vieram trazer um pouco de alegria à nossa cidade está sendo ofuscado pelo comportamento sombrio de dirigentes inescrupulosos que praticaram condutas impróprias em um jogo sem nenhum fairplay que prejudicou a todos nós e manchou de vez o Espírito Olímpico, onde o importante é participar, apenas competir. O espírito olímpico foi jogado na lama.

23 de set de 2017

INVASÃO DA ROCINHA

EXÉRCITO SAIU E TIROTEIOS VOLTARAM A TRAZER O PÂNICO AOS MORADORES ROGÉRIO 157 TENTOU SAIR DO MORRO E DEPOIS DE UMA TROCA DE TIROS TEVE DE VOLTAR
PREFEITO FAZ UMA VISITA À ROCINHA DEPOIS DE SETE DIAS DE TIROTEIOS
POSTOS DE SAÚDE  FECHADOS E COMÉRCIO AMARGA ENORME PREJUÍZO
As Forças Armadas saíram após alguns dias de ocupação, mas com a saída a disputa por território voltou e moradores estão com muito medo de novos e mortais tiroteios.
  O prefeito Marcelo Crivella que tem uma base eleitoral na Rocinha, depois de sete dias de mortes e muita destruição resolver ver como estão as coisas e propôs algumas soluções em forma de mais promessas: "dar um banho de loja na favela" e como complemento trocar algumas lâmpadas. No entanto a maioria dos moradores querem mesmo é poder andar a qualquer hora do dia e da noite em paz e tranquilidade, com ou sem o prometido banho de loja, com ou sem a troca de lâmpadas. Somente depois de cinco dias de intensos confrontos que deixou um rastro de sangue que o Ministro da defesa Raul Jungman e o Governador Luiz Fernando Pezão chegaram a um acordo para por um fim à "Guerra da Rocinha", uma disputa entre pontos de venda de drogas de uma mesma rede criminal. Antônio Bonfim Lopes o Nem atualmente em presídio de segurança máxima controlava o comércio da venda de drogas e tinha como seu gerente e homem de confiança Rogério Avelino o Rogério 157 . De um tempo para cá as desavenças começaram e chegaram ao auge em agosto desde ano de 2017 até ao rompimento. Rogério tinha várias casas, mas sua residência preferida era na Rua Dois, na parte alta da favela. Um 'bonde" de mais de setenta homens de várias favelas ligadas à rede criminal ADA invadiu a Rocinha para retomar os pontos e expulsar Rogério e seus "fiéis". Aí mais uma "Guerra da Rocinha" teve início;
entrada da Rua Dois foto Alcyr Cavalcanri all rights reserved
 Durante a madrugada de sexta para sábado houve intenso tiroteio na parte alta, Rua 02 e Laboriaux com ataque ao posto policial da Rua Dois. Os postos de saúde estão fechados, o que nunca teria acontecido segundo sua diretora Maria Helena que moradora da Rocinha há muitos anos tem reclamado da interrupção das atividades de saúde, principalmente em dia de Campanha de Vacinação. O comércio de um modo geral está com um enorme prejuízo que afeta inclusive sua parte não legalizada como o jogo do bicho e o comércio de venda de drogas a varejo. Moradores também tem reclamado das revistas indiscriminadas em residências à procura de drogas e armas e acreditam que seus mínimos direitos de cidadania tem sido desrespeitados em nome de uma falsa guerra.  
Blindados colocados em várias entradas de seus principais sub bairros ocupam as ruas da Rocinha e policiais militares fazem uma revista em quem entra e quem sai. O  narcotraficante Luiz Alberto o Bob um dos gerentes da Favela do Caju, que veio dar um "fortalecimento" ao bando de Antônio Bonfim Lopes o Nem foi preso com uma carga de nove fuzis de assalto, muita munição e muitas drogas.
foto Alcyr Cavalcanti all rights reserved

 Bandidos aliados de favelas do  Caju além de São Carlos e Vila Vintém vieram tentar retomar a Rocinha e seus pontos para o grupo de Nem. Atualmente as bocas de fumo estão sob controle de Rogério Avelino o Rogério 157 que rompeu com seu antigo chefe atualmente em segurança máxima. Muitos bandidos estão escondidos na Mata Atlântica. Uma das áreas de muito difícil acesso, muito íngreme é o Laboriaux onde no final tem uma mata muito densa e trilhas para vários bairros, mas também existe a possibilidade de estarem abrigados em alguma outra área ou mesmo já ter conseguido chegar a outros bairros através de inúmeras trilhas sendo usadas como rota de fuga.

19 de set de 2017

"RACHA DO TRÁFICO" NA ROCINHA TRAZ MUITO MEDO AOS MORADORES

AOS POUCOS TRAFICANTES DA ROCINHA ESTÁO SENDO PRESOS AGORA FOI A VEZ DA "PRIMEIRA DAMA"
BANDO DE 157 PROCURA ALIADOS DE NEM PARA UM CASTIGO EXEMPLAR
A INVASÃO DA ROCINHA MOSTRA MAIS UMA VEZ A CRISE NA SEGURANÇA PÚBLICA
"NEM NÃO É MAIS DONO DE NADA" GRITA ROGÉRIO PARA QUEM QUISER OUVIR
A tentativa da tomada de poder de Rogério 157 que era o "fiel" de Antônio Bonfim o Nem, na prática veio trazer á tona a divisão entre os dois chefes de tráfico na Rocinha. Muitos morreram e muitos ainda vão morrer pela divisão de poderes e consequente divisão territorial pelo controle dos pontos de venda da "Mina de Ouro" do Rio de Janeiro. Traficantes estão sendo presos um a um. Hoje dois frentes foram presos, Tales Juan o Talibã preso em uma casa na Vila Verde e Adailton da Conceição o Mão preso na Baixada. Mas a principal prisão foi a de Danubia Rangel mulher de Nem foi  presa na Ilha do Governador. Danubia era chamada de "Primeira Dama" da Rocinha e executava as ordens dadas por seu marido, preso em presídio de segurança.
Danubia Rangel  mulher de Nem da Rocinha reprodução facebook
 Aos gritos de "Nem não é mais dono de nada" Rogério 157 tenta mostrar que vai resistir com muita dureza e muitos fuzis. Assim foi a palavra de ordem do atual "dono do morro" que rompeu com seu chefe Antônio Bonfim, o Nem.  Desde o terceiro dia após a invasão bandidos do grupo de Rogério 157 tem feito uma varredura, principalmente em celulares para expulsar quem ajudou na entrada dos aliados de Nem que vieram em um 'bonde" de mais de noventa homens. Quem tem sido pego é sumariamente castigado e expulso da favela.
A recente invasão da Rocinha não foi a primeira nem vai ser a última, infelizmente. Desde a entrada maciça da cocaína no anos oitenta que a "Guerra da Rocinha" tem se sucedido em muitas batalhas, com alguns períodos de calmaria. Esta série de confrontos é um derivado tropical da "Guerra Contra as Drogas" uma política que não tem dado certo. A política de segurança do Estado do Rio de Janeiro tem sido uma sucessão de fracassos, que ficaram encobertos durante um breve tempo pela implantação das Unidades Pacificadoras-UPPS. O projeto de pacificação foi apenas uma tentativa de encobrir a triste realidade da desigualdade social, do déficit educacional e do problema habitacional no Rio de Janeiro, principalmente na "Cidade Maravilhosa". O isolamento das mega favelas formando uma espécie de cinturão cirúrgico criado para esconder as chamadas zonas de risco dos milhões de turistas que vieram conhecer as maravilhas tropicais durante os grandes eventos como a Visita do Papa, a Copa do Mundo e a recente Olímpiada 2016. Milhões e milhões foram gastos em obras feitas a toque de caixa, superfaturadas e  o chamado legado olímpico foi de fato uma dívida colossal.
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A Crise na Segurança não é um fenômeno recente, já vem de décadas e tem se agravado de maneira acelerada com a total falência do Estado do Rio de Janeiro, com sucessivos saques aos cofres públicos praticado pelo grupo político ligado ao PMDB com a complacência a o total apoio dos "governos populares" do Partido dos Trabalhadores-PT em nome de um arco de alianças à maneira tupiniquim. Em nosso estado a salvação na segurança viria com as UPPS que trariam a paz e a prosperidade para toda a população, pela erradicação da criminalidade e pela implantação de melhorias pelo projeto do Programa de  Aceleração do Crescimento em suas três etapas PAC-1, PAC-2 e PAC-3, programas de motivação eleitoreira. Somente o PAC-1 teve início e com algumas obras terminadas como algumas unidades de saúde as UPAS. Muitas obras ficaram inacabadas, outras não saíram do papel, embora muito dinheiro tenha escoado pelo ralo. A face obscura das UPPS veio à tona justamente na Rocinha com o "Caso Amarildo" em 2013 com a tortura como método de investigação, em conjunto com a extorsão e acordos pontuais com os "donos do morro".
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Com a Crise do Capital atingindo em cheio nosso país em especial nosso estado até o pouco dinheiro que sobrava dos grandes projetos acabou, as verdadeiras políticas públicas vieram mostrar em definitivo sua face, sem nenhum retoque. Repressão, confronto baseado no falso conceito global da "War on Drugs" ideário de Ronald Reagan e implantado como estratégia geopolítica de campo experimental na Colômbia. No Brasil a ideia vem desde a conceituação das "Zonas Vermelhas" desenvolvido no Rio de Janeiro pelo general Nilton Albuquerque Cerqueira, o "Cerqueira Branco" secretario de segurança que criou tropas especializadas para o combate ao inimigo, preferencialmente enquistados nas favelas. Essa "máquina de guerra" foi aperfeiçoada pelo Batalhão de Operações Especiais-BOPE da Policia Militar com utilização de blindados o Caveirão exoticamente agora pintado de branco. O Batalhão é extremamente bem treinado sob orientação bélica, com muito apoio da Policia  de Israel e suas tropas especializadas em conflitos urbanos.
 A "Guerra Contra as Drogas" é uma política equivocada, mas estrategicamente bem planejada e adotada em muitos países, embora tenha fracassado, o número de mortos em confronto tem aumentado, muitos civis são abatidos e o narcotráfico como fenômeno global só tem aumentado, engordando o bolso dos "barões do narcotráfico" e deixando uma triste estatística de jovens "soldados do movimento" mortos, e prontamente substituídos como meras peças de reposição neste "Exército de Reserva" na obscura e funesta indústria do crime. Na Rocinha, localidade de grande visibilidade pela sua localização os confrontos ficam mais visíveis, situada dentro da Gávea e São Conrado em ter fronteiras definidas ela é um complicador, principalmente na época de grande eventos como agora com a festa musical o Rock In Rio de repercussão globalizada. Para se chegar à grande festa passa-se obrigatoriamente pela entrada da "Maior Favela da América do Sul" e seus contrastes. A Rocinha é para uns um Paraíso Tropical, para outros, como agora, um Inferno Astral, conforme o humor de cada um. Façam sua escolha.
 

18 de set de 2017

ROCINHA VIVE DIAS DE TERROR

" A Rocinha é um vulcão adormecido, mas que pode explodir a qualquer momento"
                                                              Tio Lino, um morador

SEMANA COMEÇA COM TURISTA MORTA NO BOIADEIRO E TIROTEIO ENTRE TRAFICANTES E POLICIAIS NO "199"
DESDE 1987 COM A MORTE DA LIDER COMUNITÁRIA MARIA HELENA QUE MORADORES PEDEM PAZ
A DISPUTA PELOS PONTOS DE VENDA DE DROGAS VAI TRAZER MUITO SANGUE
POLICIA É RECEBIDA A TIROS NA RUA 2 E NO TIROTEIO MORRE UM TRAFICANTE
RACHA NO NARCOTRÁFICO TRAZ DE VOLTA MUITO MEDO
A semana que se inicia na segunda  23 de outubro traz muito medo não só aos moradores da Rocinha, mas aos bairros vizinhos. A violência desmedida atingiu uma das áreas mais visitadas por turistas estrangeiros, o Largo do Boiadeiro. A  espanhola Maria Esperanza Ruiz estava em um grupo de turistas no Largo quando foi atingida por bala perdida que pode ter vindo da arma de um oficial da PM.  Mais cedo um confronto entre narcotraficantes e policias na área conhecida como "199" na parte alta deixou dois policiais feridos que estão sendo atendidos no Hospital Miguel Couto. Há trinta anos a líder comunitária Maria Helena foi assassinada, o morro desceu e o medo se espalhou a toda cidade. Protestos, passeatas se sucederam, governos prometeram muita coisa, pouco foi feito e os protestos continuam.  A "Rocinha é uma Mina de Ouro" dizia a policial Marina Magessi, uma das maiores conhecedoras do crime na cidade do Rio de Janeiro.  A policia ao fazer uma incursão em dos pontos de venda de drogas na favela, a Rua 2 foi recebida a tiros e no tiroteio morreu um traficante. Um casal que seria do Bando de Nem foi preso sob a acusação de torturar dois adolescentes que seriam simpatizantes de Rogério 157.
Nada pior para os moradores do que uma divisão territorial motivada pela tomada das inúmeras bocas de fumo que rendem milhões por semana apesar da invasão e da ocupação policial. As mortes quase diariamente voltaram depois de alguns dias de uma calma aparente continuam os tiroteios para infernizar os moradores da "maior favela". No final de semana dois mortos na Rua Um devido à disputa entre o Bando de Nem e e Rogério 157 e de confrontos com policiais. Na madrugada do dia 06 de outubro um confronto entre policiais e traficantes deixou um saldo de dois mortos e uma menina de 16 ferida nas costas.
Há duas semanas atrás, depois  seis dias de tiroteios seguidos em um final da tarde depois de muitos desencontros, o ministro Raul Jungman chegou a um consenso com o governador Pezão e deslocou 950 homens com apoio de blindados para acabar com os confrontos que levaram pânico aos moradores da Rocinha. Na manhã de hoje, sexta feira, a favela voltou a ser um Inferno Astral, ônibus incendiados e o comércio voltou a fechar suas portas. O bando que estava refugiado nos milhares de becos e na Mata Atlântica desceu e aterroriza os moradores. Desde segunda, um dia depois do domingo sangrento mais de trezentos e cinquenta policiais ocuparam grande parte da imensa favela desde as primeiras horas da segunda feira 18 de setembro, o Túnel Rebouças e acessos foram interditados para passagem do comboio policial . Foi um domingo que traz de volta a velha "Guerra da Rocinha" que vem desde os anos setenta. Em 1988 estive à serviço do Jornal do Brasil junto com o jornalista Jorge Antônio Barros para registrar o que de fato acontecia durante as matanças que se sucediam diuturnamente. As mortes se sucediam entre policiais e ex- policiais á serviço da contravenção e o grupo de narcotraficantes chefiados por Sérgio Ferreira da Silva o Bolado, um jovem de 21 anos que controlava a imensa área sob as ordens de Denir Leandro o Denys que dava as ordens de dentro da cadeia. Bolado era de total confiança de Denys e de sua rede criminal, na época a Rocinha pertencia ao Comando Vermelho. Desde 2003 aconteceu uma mudança de lado e a Rocinha após uma série de desavenças com os líderes do Comando Vermelho passou a ser controlada pela Amigos dos Amigos.
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Depois de muitas mortes e muito sofrimento a paz foi firmada em uma acordo entre a cúpula da contravenção e o grupo de Bolado em uma reunião no alto da Rua Um. Foi também criada em uma tentativa de pacificação a GRES Acadêmicos da Rocinha, que teve entre seus fundadores representantes do narcotráfico e do jogo do bicho.
Em 2011 houve uma grande invasão da Rocinha com auxílio da Forças Armadas para a implantação de uma Unidade de Policia Pacificadora-UPP que trouxe esperanças para os mais de 120 mil moradores divididos em suas 16 sub áreas. As esperanças e os sonhos dos moradores ficaram frustrados por dois principais motivos, a UPP como modelo de segurança não alcançou seus objetivos e depois do "Caso Amarildo" em 2013 caiu no descrédito. A tortura e extorsão eram os métodos de investigação mais utilizados. A segunda maior decepção foi o não cumprimento das promessas feitas pelos Governo Federal e Estadual com os sucessivos Programas de Aceleração do Crescimento o PAC-1.PAC-2 e PAC-3. Pouca coisa foi feita a maioria ficou na casa das promessas, como num grande santuário.
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Com a prisão do "dono do morro" Antônio Bonfim Lopes o Nem , da rede criminal Amigos dos Amigos-ADA o narcotráfico ficou durante anos controlado por um de seus fiéis Rogério Avelino o Rogério 157 que até meses atrás seguia as orientações de Nem. Mas de um tempo para cá aconteceu uma implantação de uma base do PCC rede criminal oriunda de São Paulo que começou a colocar alguns homens na favela. As desavenças entre Nem e Rogério começaram e chegaram ao auge em 13 de agosto de 2017 com a execução de três homens de confiança do Nem, entre eles Perninha, que vem desde a época de Bemtevi em 2003. Os três foram executados, vários outros foram barbaramente torturados e os sobreviventes expulsos da favela. desse então a matança continuou com dezenas de execuções quase diárias. Na madrugada de domingo 17/09 um "bonde" de cerca de setenta e cinco homens entrou  na localidade aos gritos de "Chegou o Bonde do Nem". O bando formado com soldados do Morro São Carlos, Vila Vintém, Morro dos Macacos e outras favelas tentou tomar os pontos de venda de drogas, foram rechaçados e foram encontrados dois corpos, mas segundo moradores tem muitos cadáveres espalhados em locais ermos, alguns enterrados, outros no micro-ondas. Hoje foram encontrados mais dois corpos e um morreu em confronto com a polícia.
A Rocinha está invadida, em suas principais vias de acesso por forças policiais civis de várias delegacias, homens do Batalhão do Choque e do Bope, com apoio da UPP local em um total de aproximado de mais de 550 homens. Rogério 157 e muitos traficantes estão na mata do que restou da Floresta da Tijuca e muitas mortes ainda vão acontecer. Voltou a velha a funesta "Guerra da Rocinha".
 

obras do pac

obras do pac
inicio de obras ao lado do ciep ayrton senna