24 de ago de 2010

Tiroteio em São Conrado

"Fiquei no meio do fogo cruzado, achei que ia morrer. Só pensava em meus filhos, em meu trabalho em todos os sacrifícios de uma vida de luta. Pensei pra que tudo isso, se a gente pode morrer em apenas um segundo?" disse Marly 51 anos, moradora da Barra da Tijuca que passava em direção ao Leblon na hora do tiroteio. Ela abandonou seu carro e ficou horas escondidas em uma garagem de um prédio na Praia de São Conrado. Sábado 21 de agosto de 2010,8,20h de bela manhã de sol, daquelas que só "a cidade maravilhosa pode proporcionar. Rapidamente a filial do paraíso se transformou em sucursal do inferno. O "bonde do Nem" vinha fazendo um retorno tranquilo de um animado baile funk no Vidigal, favela vizinha agora sob os domínios da rede criminal ADA (Amigos dos Amigos)desde a mudança de lado em 2003 feita por Luciano Barbosa da Silva "o Lulu", pessoa querida no conceito da imensa população da Rocinha, "um bandido formado", ou seja aquele que respeita as leis e costumes de sua comunidade. Desde a morte de Erismar Moreira o "Bem-te-vi" executado na fatídica madrugada de 29/10/2005 que a Rocinha vive em um permanente estado de guerra, temendo uma invasão seja por parte dos "alemão", seja por parte dos "homens da lei" em tempos de UPPs. Quem manda agora (e manda mesmo) é Antonio Francisco Bonfim Lopes o Nem que anda sempre com o mínimo de quarenta homens na contenção. Em um de seus passeios o "bonde da roça" deu de cara com os "verme" ou seja soldados da PM como são conhecidos no meio da bandidagem, em uma ronda da madrugada. E deu no que deu.Durante a refrega uma parte do "bonde" partiu pro enfrentamento, uma parte invadiu o Hotel Intercontinental e a outra parte escapuliu com Nem e "seus fiéis" para a parte alta doo morro.Ele havia sido ferido durante o tiroteio. Nem controla a imensa favela com "mão de ferro" graças a uma enorme e eficiente rede de olheiros e colaboradores que administram o chamado "Complexo da Rocinha" ou seja Rocinha, Vidigal, Parque da Cidade e uma grande "estica" na Cruzada São Sebastião, no Leblon, zona nobre da cidade. Nem também faz uma "aliança cooperativa" com os narcotraficantes do Morro de São Carlos, atualmente sob o domínio da ADA. As favelas do São Carlos são administradas à distância por ele, que colocou dois homens de confiança para controlar a venda no morro. Embora faturando milhões de reais por mês Nem tentou sair do tráfico, forjando a própria morte, procedimento adotado por outros "chefes de tráfico" como Paulo César " Linho" da Maré e Lobão que chefiou as vendas na Rocinha, nos anos noventa que simulou a própria morte e desapareceu,cansado de ser extorquido por policiais.Ele vive atormentado por máus presságios.que lhe perturbam o sono.Tem tido pesadelos em que está sendo cortado em pedacinhos e colocado no "microondas". Na eleição de 2008 o candidato apoiado por Nem,e grande parte dos eleitores da Rocinha e Vidigal, o "Claudinho da R1" foi eleito com expressiva votação. Mas seu mandato durou pouco, Claudinho morreu em meados de 2010.
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obras do pac

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inicio de obras ao lado do ciep ayrton senna