23 de jul de 2012

UM LUGAR CHAMADO VALÃO


VALÃO ERA O FEUDO DO BEM TE VI QUE RECEBIA ARTISTAS E POLITICOS EM PLENA MADRUGADA
APÓS ELEIÇÃO MORADORES ESPERAM PROMESSAS NÃO CUMPRIDAS
A URBANIZAÇÃO DO VALÃO  NÃO SAIU DO PAPEL
O Valão era o lugar predileto do "dono do morro", Erismar o Bem te vi que na alta madrugada recebia belas atrizes globais e políticos, alguns do alto escalão carioca. O tempo passa e promessas, muitas promessas e pouca ação. Na Rocinha existem mais de dezoito microáreas,uma delas fica logo na entrada, é a Rua do Canal, mais conhecida como Valão. uma das passagens para quem deseja ir para o interior da favela, através de seus inúmeros becos e vielas. Nessa área durante muito tempo estabeleceu-se um dos maiores pontos de venda de drogas a varejo do Rio de Janeiro. Esse foi durante muito tempo o principal argumento para servir como justificativa para o abandono da microárea pelas autoridades.

Foto Alcyr Cavalcanti ( cf lei dos direitos autorais)
Popularmente valão significa uma grande vala, onde na falta da coleta de lixo são jogados vários produtos descartados. Há algum tempo atrás significava um local onde as pessoas "desconsideradas", rebutalho social, o chamado lixo humano, eram jogados depois de executados por um tribunal sem clemência.
Atualmente o canal está cheio de lixo e restos dos mais variados, desde animais mortos, a sacos plásticos. O cheiro em pleno verão é insuportável,prejudicando um restaurante que fica logo na entrada, que faz um bife com fritas da melhor qualidade, preparado com todo carinho. Os moradores esperam as prometidas obras de urbanização do PAC, para poderem respirar aliviados. Acreditam que tudo será feito com honestidade, ao contrário das obras do "Valão de Ouro" , onde o dinheiro literalmente escoou pelo ralo, enchendo o bolso de alguns espertalhões.
O Valão é um lugar de muitas e muitas histórias, onde políticos de renome se reuniam com Erismar, o Bem-te-vi, na época o chefe do tráfico. Vinham pelo menos duas vezes por semana para alguns acertos. Apesar de seu prestígio, ou talvez tenha sido por esse motivo, que Erismar o Bem-te-vi tenha sido executado em uma sombria madrugada de 29 de outubro de 2005.Foi uma verdadeira caçada, batizada de "Operação Cavalo de Tróia", porque segundo a versão oficial , a policia teria infiltrado dez homens que alugaram uma casa na rua do Valão, próximo a uma de suas inúmeras residências.Os policiais estariam (segundo a versão oficial) disfarçados em operários da construção civil. Ao que parece, o que aconteceu de fato, foi uma traição, por pessoas de sua inteira confiança. Mas sua morte não ficaria impune, seus fiéis sabiam da "trairagem" e poucos dias depois oito homens foram julgados e executados no Tribunal do Tráfico depois de muito sofrimento. Segundo conversa que tive com moradores que pediram para não ser identificados, temendo possíveis represálias, eles tiveram as cabeças cortadas ainda em vida.


foto Alcyr Cavalcanti all rights reserved 

No final da microárea durante muito tempo,foram prestadas homenagens à sua inesquecível lider comunitária Maria Helena Pereira da Silva, assassinada em seu apartamento na Estrada da Gávea 521 na Curva do S em novembro de 1987.


foto Alcyr Cavalcanti all rights reserved
As crianças esperam as obras de urbanização prometidas, que ainda não saíram do papel.

20 de jul de 2012

SEQUESTRO NA ROCINHA

A Divisão Anti-Sequestro (DAS) investiga a possibilidade do comerciante Gonçalo Valdemar Evangelista de 55 anos, conhecido como Valdemar do Gás ter sido sequestrado. Valdemar foi expulso da Rocinha em setembro de 2004 por divergências com o chefe do narcotráfico. Um grupo de traficantes sob o comando de Soldado e Lelé invadiram o bar Pedra Bonita, onde havia um depósito e levaram noventa botijões, fax, documentos, chaves dos veículos, além de ameaçarem os cinco funcionários. Na época, quem também explorava a venda de gás era Fabio Lucas Conceição, conhecido como Gaúcho, ou Lucas do Gás. Lucas desapareceu misteriosamente, deve ter sido assassinado, mas seu corpo nunca foi encontrado. Depois de voltar à favela e retomar a venda de gás, Valdemar foi candidato a vice-presidente da União Pró Melhoramentos de Moradores da Rocinha (UPMMR) na chapa que tinha Luis Claudio Oliveira, o Claudinho da R1 como cabeça de chapa. Ambos foram eleitos, mas Claudinho deixou a associação por ter sido eleito vereador com apoio do senador Marcelo Crivella. Valdemar abandonou a política local, dedicando-se exclusivamwente a seus negócios. Ele residia na microárea chamada Vila Verde onde fez diversas benfeitorias. Valdemar era muito querido pelos moradores que estão apreensivos.
na foto Valdemar (esquerda) com Claudinho
Os criminosos que inicialmente pediram um milhão de reais para libertar o comerciante, já estavam aceitando negociar a sua liberdade por R$ 50 mil, em contato com policiais da especializada. Valdemar sequestrado ás onze da manhã,foi encontrado às onze horas da noite de ontem dia 20/07 no subúrbio de Paciência em uma área dominada por milicianos e levado para a sede da Divisão Anti Sequestro no Leblon. Ao delegado Claudio Góis titular da Divisão, Valdemar disse não ter sido torturado, nem ter sofrido nenhuma violência. Para um apontador de jogo-do-bicho que faz seu ponto em uma das centenas de travessas do Bairro Barcellos,pondo em dúvida o que de fato teria acontecido: "foi um sequestro quase relâmpago, onde os bandidos não levaram nenhuma vantagem".

15 de jul de 2012

A CRECHE DA RUA UM, VERDADEIRO OÁSIS NO MEIO DO TIROTEIO

foto de Alcyr Cavalcanti  all rights reserved
UM OÁSIS NO MEIO DO FOGO CRUZADO
"Há uma harmonia de tensões opostas, como do arco e da lira"
                                               Heráclito de Éfeso

A Creche da Rua Um é um verdadeiro oásis no meio da imensa favela e também uma prova da possível harmonia entre tensões opostas, convivência entre realidades muito distintas. O refúgio fica localizado em uma rua que é o coração e o cérebro da Rocinha. É também conhecida como a Creche da dona Eliza, dirigida desde há muito tempo por Maria Elizia Pirozzi, 71 anos, uma nordestina "arretada" que não aceita ordens de ninguém. Por causa de seu temperamento explosivo já foi obrigada a "emigrar de sua favela" mais de uma vez. Quem chega lá, depois de uma subida através da rua estreita e sinuosa percebe o quanto a velha paraibana é querida por todos, desde o mais humilde morador, aos eventuais "donos do morro". A creche fica em uma rua que é o centro nervoso da imensa favela, nos arredores de um pequeno núcleo cultural, a Casa da Cultura, um restaurante com apenas cinco mesas e uma comida saborosa, mas cujo maior atrativo são as máquinas caça-níqueis, um templo pentecostal, um salão de beleza, e um bunker onde os "donos do morro" fazem (ou faziam) suas reuniões e traçam (ou traçavam) suas estratégias. Em uma das inúmeras curvas funciona um concorrido ponto de jogo de bicho, às vezes permitido, às vezes reprimido ferozmente, conforme os humores dos policiais de plantão. Próximo à entrada funciona um posto de saúde municipal, teoricamente subvencionado pelo governo. Na parte mais alta da rua, está sendo construído um prédio que irá abrigar um batalhão policial, para segundo declarações oficiais "impor a paz em toda a comunidade".
Dona Eliza nunca se deixou abalar, nem mesmo se intimidar, nem quando foi "convidada a se retirar" para um exílio que parecia não ter fim. Já ministrou seus ensinamentos, seu modo de conviver e se manter com dignidade a milhares de crianças que foram criadas debaixo de sua saia. Muitos graças a seu esforço e perseverança passaram a acreditar que pelo conhecimento poderiam superar qualquer obstáculo ao longo da caminhada. Seu pensamento sempre foi um só:salvar as crianças, dar um rumo àqueles que ansiavam por uma palavra de carinho e de um bom prato de macarrão com aquele molho especial, que só ela sabe preparar, mesmo em meio a tiroteios, matanças, extorsões, invasões, tanto da parte dos inimigos quanto dos pretensos aliados.

Jorge Mamão e Dona Eliza foto Alcyr Cavalcanti all rights reserved
"Dou minha vida por esse povo, que você vê jogado por aí, abandonado pelos governantes. Luto há mais de trinta anos para esse povo estudar. Várias crianças que passaram aqui pela minha creche hoje são professores, militares, advogados e até juízes.Tenho muito orgulho disso. Vivo pedindo doações de tudo, às vezes aceito até migalhas, mas fico feliz. Eu sei que eles também ficarão. Meu sonho é botar uma rádio, que vai se chamar Rádio Rolinha, porque o passarinho vive catando as migalhas dos outros, mas sempre feliz. Eu de certa forma sou um passarinho acostumada a tudo,mas sempre lutando".


Maria Elizia Pirozzi a Dona Eliza fotos Alcyr Cavalcanti all rights reserved
Dona Eliza faz tudo o que pode pelos seus netinhos, como ela chama carinhosamente centenas de crianças que tiveram sua proteção, mas não fica sozinha em sua luta. Um grupo de abnegadas mulheres sob a orientação de sua filha Adriana, uma bela jovem que fez seus estudos na Pontifícia Universidade Católica (PUC) na Gávea. Adriana é uma batalhadora de temperamento forte, herança de sua mãe, mas que decidiu deixar a política local, para viver exclusivamente para as crianças da creche. Há alguns anos atrás foi candidata à presidência da principal associação de moradores a União Pró Melhoramentos dos Moradores da Rocinha (UPMMR). Era franca favorita, mas por motivos dos mais diversos perdeu a eleição, e disse que nunca mais quer ouvir falar em ser candidata, embora o sobe e desce à sua procura continue, principalmente em vésperas de eleição.


Adriana Pirozzi foto Alcyr Cavalcanti all rights reserved







obras do pac

obras do pac
inicio de obras ao lado do ciep ayrton senna