21 de ago de 2012

BILHÕES PARA OBRAS DO PAC

OBRAS DO PAC-1 FICARAM SÓ NA PROMESSA

postagem atualizada em 18/10/2014
A presidente deveria anunciar a conclusão das obras que ficaram para trás e não fazer novas promessas
Douglas Silva, morador
As promessas continuam em ritmo de eleição
Moradores da Rocinha estão saturados de promessas feitas, mês após mês que nunca foram cumpridas. É o caso de Eliane Oliveira que cansada de ser enganada, está investindo o que tem e o que não tem no Itanhangá, na Barra da Tijuca. Teve de abrir mão de sua casa em função das fictícias obras na área chamada Valão, um dos acessos para quem vai para a parte alta da favela. As melhorias que seriam feitas no PAC-1, foram transferidas qual uma novela fantasma para o PAC-2, e quem sabe, para um PAC-3. Eliane recebeu pouco mais de R$70 mil, quantia que só deu para comprar um terreno. Eliane é somente mais um caso, dos milhares de casos, que esperam pelas prometidas obras. Ela, de tanto esperar resolveu ir embora para recomeçar a vida em outro lugar.
Apesar das obras do PAC terem ficado somente na promessa, a presidente Dilma há muito tempo atrás, anunciou que as favelas da Rocinha, Jacarezinho e da Cachoeirinha irão ter uma injeção de cerca de R$2,66 bilhões para investimentos em diversas áreas. Dilma foi até a Rocinha, que vai levar a maior parte, mais de R$1,6 bilhões. Os moradores aguardam com ansiedade as melhorias prometidas e não cumpridas. As obras do PAC-1 iniciadas em 2008 foram interrompidas em 2011 sem que houvesse uma explicação plausível. A postagem feita na época mostra que as promessas foram apenas conversa fiada, o que já era esperado, afinal a maior parte delas foi feita pelo governador Sergio Cabral na inauguração de agencia do Banco do Brasil. Para um líder comunitário que não quis se identificar, "quase nada vai ser feito, é apenas um discurso vazio, que serve para enganar o povo". Uma das localidades onde nada foi feito foi a micro área "Roupa Suja" que fica logo na entrada da Rocinha, acima do túnel. É a área mais visível onde a policia não entra, apesar de uma creche que atende centenas de crianças, e onde tem ocorrido uma serie de tiroteios, o mais recente vitimando um turista alemão.
O governador Luiz Fernando Pezão aproveitando o clima de festa prometeu fazer o esperado teleférico, resolver de vez o problema de esgoto e fazer uma elevatória para levar água para os mais de cem mil moradores. Pezão, segundo um antigo morador que tem muito prestigio na localidade me confessou que o governador foi um frequentador da Rocinha, há anos atrás ia semanalmente ao Valão contatar lideranças comunitárias pedindo votos.


roupa suja espera urbanização prometida foto alcyr cavalcanti

Governador prometeu urbanizar a Rocinha e não cumpriu.
Sérgio Cabral em dezembro de 2011, na inauguração de uma agência do Banco do Brasil anunciou aos moradores da Rocinha que a presidente Dilma iria liberar R$700 milhões para as obras do PAC-2 no primeiro semestre de 2012. O então vice-governador Luiz Fernando Pezão disse que e o estado espera receber R$3,5 bilhões para a implantação das obras de saneamento, urbanização e sistema de transportes na segunda fase do Programa de Aceleração do Crescimento. Parte desse montante seria destinado para abrir novas frentes de trabalho em várias localidades, principalmente Rocinha, Alemão e Manguinhos, que têm alto índice de desemprego.
Para Sérgio Cabral "O PAC será extremamente ousado. Vamos ter 100% de saneamento, de drenagem e de água.Teremos ainda o teleférico garantindo mobilidade à população e atração de negócios para a Rocinha. Ruas serão alargadas e construiremos novas habitações" afirmou.
O Caminho e o Largo do Boiadeiro serão urbanizados, está sendo prometida também a construção de um mercado público com três andares, além da construção de uma creche modelo. A principal obra prometida é a construção de um plano inclinado que ligará o tunel Zuzu Angel à Rua Um, prometida até o dezembro de 2012. A previsão é transportar mais de 3 mil pessoas por dia. O projeto inicial previa também a construção de outro plano inclinado, mas foi substituído por um teleférico, semelhante ao do Morro do Alemão. As obras seriam integradas ao Metro na Linha 4.
A reurbanização do Largo do Boiadeiro, e do Valão onde existe intenso comércio e também um ponto de encontro aos domingos,é um dos pontos principais,onde serão feitos um conjunto de obras de prevenção às enchentes e melhoria estética, tudo até o final de 2012.


Os moradores da "maior favela da América do Sul" estão divididos entre a esperança de que dias melhores hão de vir,apostando na firmeza e na retidão de caráter da presidente Dilma, e a desesperança de muitas promessas não cumpridas feitas por alguns espertalhões que só visitam a favela em época de eleição e só pensam em rapinar o nosso dinheiro, dinheiro de quem trabalha de sol a sol.

'roupa suja': a urbanização ainda não foi feita

10 de ago de 2012

ROCINHA SEM FOME

A DISTRIBUIÇÃO DE ALIMENTOS É UMA TRADIÇÃO NAS FAVELAS
É O PROGRAMA "FOME ZERO" BEM ANTES DOS GOVERNOS ENGANADORES
A distribuição de alimentos para os necessitados sempre foi uma tradição não só na Rocinha, mas em muitas outras favelas onde a repartição de bens era uma lei. A união entre os diversos poderes legalizados ou criminalizados visando o bem comum sempre existiu. Um ou dois caminhões distribuem gêneros dos mais diversos fazendo uma política assistencialista, ignorando a alta de preços e as crises cíclicas do capital.O "Fome Zero" não foi uma invenção nem do Lula, nem do Fernando Henrique , embora eles vivem dizendo aos quatro ventos que foram os inventores do programa feito para aplacar a fome dos "caidinhos".Desde a "Era Denys", na década de oitenta, que o caminhão de alimentos é religiosamente distribuído no alto da favela, na maioria das vezes na Rua Um, tradição seguida fielmente pelos seus sucessores.Reza a lenda que Denir Leandro, o Denys no início de seu "reinado" após a eliminação de Zé do Queijo, em reunião com seus fiéis baixou uma ordem: "Chega de miséria no morro, não quero ver mais ninguém passando fome". Assim teria começado o "Fome Zero" da Rocinha. Mas afinal quem banca as despesas, com os preços subindo dia-a-dia , ás vezes lentamente, às vezes na chamada espiral inflacionária? A solução através dos tempos tem sido formar uma aliança cooperativa entre os diversos poderes que sempre existiram na "maior favela da América do Sul", pelo menos até agora: o comércio regular legalizado, o jogo do bicho, e o movimento.

Fome Zero photo Alcyr Cavalcanti all rights reserved

Mas nem sempre foi assim.Em 1988 uma verdadeira guerra entre o narcotráfico e o jogo do bicho interrompeu a tão esperada distribuição de alimentos, deixando muitos com a barriga vazia, e alguns mortos durante a refrega. O tráfico chefiado por Sérgio Bolado e o jogo do bicho cujo dono dos pontos era Luis Carlos Batista travaram uma disputa que deixou um rastro de mortos e feridos durante alguns meses. A situação só ficou resolvida depois de uma tensa reunião no alto da Rua Um quando foi assinado um armistício, e foi criado o GRES Acadêmicos da Rocinha, que viria segundo as palavras de seu primeiro presidente Ailton Rosa "como uma cura para a violência, uma forma de pacificação". Só assim o tão esperado caminhão de alimentos voltaria a ser distribuído.

photo Alcyr Cavalcanti all rights reserved
Com a chegada do novo milênio outros segmentos também resolveram aderir à distribuição de alimentos. Gilbert Leal, o "Cabeça do Futivolei" promove o "Natal sem Fome" e vários outros eventos, como torneios de vale-tudo, voleibol, futebol e show com vários artistas. Romário, Renato Gaúcho, Ronaldo Nazário e muitos outros famosos resolvem ajudar a iniciativa do "Cabeça".Em dias de hoje fica uma dúvida,com a invasão da favela e a implantação de uma UPP quem vai bancar a distribuição, visto que tanto o narcotráfico quanto o jogo do bicho ficarão enfraquecidos, ou segundo as autoridades desaparecerão? A resposta fica para daqui a algum tempo, quando tudo estiver resolvido. Enquanto isso milhares de pessoas esperam que a farta distribuição continue a ser feita, para confirmar uma tradição que vem desde o século passado.

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4 de ago de 2012

A VIA ÁPIA DA ROCINHA

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A VIA ÁPIA É O CENTRO COMERCIAL DA ROCINHA ONDE VENDE-SE DE TUDO PARA TODOS OS GOSTOS
A Via Appia na Roma Antiga era uma de suas principais estradas. Para os romanos era a Regina Viarum, a rainha das estradas. Na Rocinha o nome italiano foi dado por Pompeo Feltrin em homenagem à sua terra natal. A Via Ápia é o principal acesso, um ponto de encontros e também seu centro comercial com uma agência bancária do Bradesco situada no térreo de um edifício de oito andares, farmácias,ponto de moto-táxis, barracas de ambulantes vendendo produtos diversos, uma associação de moradores (AMABB), salão de beleza, três restaurantes, várias lanchonetes, loja de telefonia,e uma oficina de conserto de motocicletas.Em outros tempos, não muito distantes haviam também dois pontos de apostas no jogo do bicho, e alguns pontos de vendas das "mercadorias do prazer", conforme a conceituação do sociólogo Michel Misse. Tanto vendedores e suas mercadorias, quanto apontadores e apostadores conviviam em uma aparente harmonia, bem diversa da "Guerra de 1988" entre Sérgio Bolado e Luiz Carlos Batista, que deixou um rastro de muito sangue. No tempo em que Antônio Bonfim Lopes reinava na localidade, um restaurante servia também como ponto de encontro e de reuniões de "chefes" da rede criminal Amigos dos Amigos-ADA, para traçar estratégias para invasões armadas e da tomada de territórios em poder de seus concorrentes.  Em outros tempos não muito distantes a sexta feira fervilhava e havia até um pregão de sua mercadoria nessa exótica feira pós-moderna em que um  jovem apregoava a quem quisesse ouvir: "Vem cá meu bom, aqui tem o melhor pó da cidade, não é malhado e custa só cinco reais".
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 Nos dias de hoje, em tempos de UPP, eles não mais fazem parte da paisagem, levando seus postos de trabalho para as centenas de vielas e becos da favela. Na Via Ápia estão sendo substituídos por alguns policiais civis e militares que fazem a sua forma de pacificação, muito contestada pelos moradores depois do Caso Amarildo. Hoje já se fala em uma saída "honrosa" dos policiais militares e de uma convivência em paz e harmonia.

 
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obras do pac

obras do pac
inicio de obras ao lado do ciep ayrton senna