4 de dez de 2013

UM ENCONTRO NO ALTO DA RUA UM

A Rua Um é o Coração e o Cérebro da "Maior Favela da América do Sul"

Tive meu primeiro contato com o centro nervoso da favela em janeiro de 1988. Estava passando uma temporada na Rocinha e fui acordado por um tiroteio cujo foco era a Rua Um. Partimos para lá eu e o querido amigo jornalista Jorge Barros, de ônibus eram 06h da manhã de um dia de verão. detalhe estávamos a pé, o carro do JB havia sido dispensado. Uma multidão de curiosos estranhou nossas câmeras e gravadores. Subimos afoitamente a rua e cruzamos com dois corpos sendo carregados para a entrada da rua. Muitos reclamavam pela nossa presença qual "aves de rapina", mas teríamos de começar a fazer nosso trabalho: matéria especial sobre a "guerra entre o jogo do bicho e o trafico". Os corpos foram colocados próximo a um bar na entrada da rua. A pericia e a delegacia local haviam chegado.


Muitas vezes passei novamente pela rua, ás vezes a serviço de reportagem, ás vezes a passeio, às vezes fazendo "trabalho de campo" para minha tese de mestrado para a UFF. É um dos mais belos visuais de nossa cidade, podemos avistar quase toda favela, e a praia de São Conrado e seus edifícios luxuosos. Foi lá que em 1997 conheci o "dono do morro". estava á serviço do Canal Plus (França) indicado pelo grande diretor de cinema Silvio Tendler guiando os franceses pelos inúmeros becos e vielas em segurança. Obviamente pedi ajuda ao amigo já falecido Jorge Mamão líder comunitário que transitava em todas as áreas de negócios, fossem lícitos ou não. Sabia que para poder andar em liberdade era necessário pedir autorização ao "dono do morro" à maneira de Spike Lee fazendo a coisa certa. O documentário iria focalizar os divertimentos de sábado à noite dos jovens no Rio de Janeiro. nos bailes funk, um contraponto aos jovens em Montreal, Moscou e Paris. O personagem central era Mc Gorila, morador da Vila Verde um dos 17 sub bairros da favela, que fazia muito sucesso com o rap do Gorila.

Mc Gorila sucesso no baile funk
Fomos eu e um jovem indicado pelo Mamão, o China, pedir autorização ao dono do baile funk, que já estaria avisado. O encontro foi no meio da Rua Um em uma bifurcação. Apareceu um jovem branco vestido com bermuda e tênis de grife, sem camisa, estávamos em pleno verão, perguntando o que pretendia. Ouvia atentamente, mas respondia de maneira cortês mas secamente com monossílabos. Um detalhe seu olhar era aduro e frio, quase cortante fazendo lembrar a música de Adoniram "seu olhar mata mais do que bala de carabina, de veneno estricnina de peixeira de baiano", dava calafrios. Depois de ouvir atentamente ele disse que estava tudo bem, mas com uma questão, somente poderíamos exibir as imagens na Europa, nenhum fotograma sequer no Brasil. Ele estava sozinho, sem arma mas a um três metros um negro alto e forte acompanhava tudo com atenção, e no alto de uma laje dois fieis armados com fuzis faziam a contenção. Só minutos depois vim a saber que o dono do baile era também o "dono do morro!" seu nome era Lobão, nascido Fernando Freitas reinou na favela até abril de 2000 com plenos poderes. Lobão teve um curto reinado, segundo a versão oficial morreu em acidente, mas a família contesta e não reconheceu o cadáver. Ele teria fugido e arranjaram outra pessoa para ser enterrada em seu lugar.

1 de dez de 2013

A TORTURA COMO MÉTODO DE INVESTIGAÇÃO


"Tortura, violência física para arrancar uma verdade que de qualquer maneira, para valer como prova tem que ser em seguida repetida diante dos juízes, a título de confissão espontânea"
Michel Foucault
PROTESTOS CONTRA TORTURA EM TODO PAÍS
ESTUDANTES MORADORES DA PROVIDÊNCIA DENUNCIAM VIOLÊNCIA POLICIAL
O Método de Interrogatório Intensivo é prática nas UPPs
"Deixa comigo, bota ele no pau de arara, que vai falar tudinho"
                                    Um delegado famoso pela linha dura.

Estudantes secundaristas fizeram relato na noite de segunda dia 27/06 em Ato organizado pelo Grupo Tortura Nunca Mais no auditório João Saldanha do Sindicato dos Jornalistas sobre atos de violência praticados por policiais militares, não só invadindo casas no Morro da Providência, mas também quando da Greve da Educação, que continua sem solução até os dias de hoje. Estamos vivendo tempos sombrios que deveriam estar definitivamente sepultados, a mais triste herança da tortura, com o nome sugestivo de método de interrogatório intensivo. Uma pratica eficiente que só interessa ao carrasco para transformá-la em verdade dos fatos. Empregada como rotina está definitivamente arraigada em parte do aparato repressivo fazendo lembrar um passado inquisitorial, onde o preso confessava o que cometeu e o que não cometeu. Choques elétricos, afogamentos em privadas, pau de arara, botar no saco (asfixia por saco plástico), o laboratório do suplicio tem múltiplas formas de extorquir a confissão a qualquer preço, fazendo valer uma falsa verdade. Em pleno século XXI estamos usando métodos medievais que foram revividos no período 1964-1984. As práticas insanas continuam desafiando a justiça. o número de denúncias aumentou em 129% desde 2011. O número pode ser muito maior, muitas vítimas não prestam queixa intimidadas pelos algozes que mudaram o alvo, da perseguição aos inimigos políticos passaram a caçar os despossuídos que não tem como se defender. A tortura foi oficializada pela repressão. O Ministério Público entrou com ação contra 31 policiais militares da Unidade Pacificadora da Rocinha acusados de torturar moradores, entre eles adolescentes e mulheres grávidas.

A policia brasileira colocava presos em celas pequenas em companhia de jacarés, cobras e outros animais para obter o relato que interessava ao torturador Um delegado "linha de frente" colocava o preso dependurado pelos pés e ameaçava soltar, para uma queda de quatro andares, talvez influenciado pelo magnifico filme The Killers de Don Siegel (1964) com Lee Marvin como o matador de aluguel. O delegado era um dos homens de ouro criado pelo general França para acabar com a criminalidade.
O Ato-5 de dezembro de 1968 acelerou os poderes discricionários durante os "anos de chumbo" com a alegação do combate a uma guerra revolucionaria. Triste herança,agora para o Estado o inimigo é outro, enquistado nos morros e favelas, mas os métodos são os mesmos, centros de tortura continuam em funcionamento fazendo reviver a "casa da morte" de Petrópolis onde de quase uma centena de prisioneiros somente uma, a jornalista Inês Etienne Romeu sobreviveu, mas com sequelas graves.

Por ter se estendido por mais de 21 anos a ditadura deixou raízes profundas na vida nacional e interrompeu a livre criação de mais de uma geração. As organizações de defesa de direitos humanos estimam em mais de 100mil pessoas perseguidas pelo regime de exceção. Herança maldita, atualmente nossa policia, principalmente a PM tem usado a tortura como prática quase diária tendo como alvo os despossuídos, elegendo como inimigo interno a venda de drogas, a varejo, em uma "guerra santa" contra as favelas cariocas, onde os moradores saem derrotados. O numero de vitimas por balas perdidas ou por auto de resistência é infinitamente maior, o que vem colocar em xeque a politica de pacificação.

8 de nov de 2013

DIREITOS HUMANOS EM TEMPOS DE UPPs

As Unidades de Policia Pacificadora, Direitos Humanos e a Prática do Extermínio
atualizado em 20/10/2014

Art.I: Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotados de razão e consciência e devem agir em relação uns aos outros com espirito de fraternidade.
Declaração Universal dos Direitos Humanos ONU 1948
NAS FAVELAS OCUPADAS A PAZ AINDA NÃO VEIO

Estamos comemorando 66 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos criada pela ONU em 1948. No entanto há muito pouca coisa para comemorar, principalmente no Estado do Rio de Janeiro. A politica de segurança tendo como carro-chefe as UPPs não tem trazido a prometida pacificação. As invasões e ocupações pelo aparato repressivo tem se sucedido trazendo medo e insegurança entre os milhões de moradores das localidades cariocas. Desde a invasão e ocupação pelas forças de segurança em novembro de 2011, que a Rocinha vive esperando a tal almejada paz e harmonia. O "dono do morro" Antonio Bonfim, o Nem foi preso e "escrachado", exposto aos milhares ou milhões de espectadores de forma espetacular. Para as autoridades o problema estaria resolvido, preso o chefe do tráfico, fonte de todos os males, tudo iria caminhar em paz e os moradores da "maior favela da América do Sul" poderiam viver livremente felizes para sempre. Mas não tem sido bem assim, chefes do tráfico tem sido presos mas a venda de drogas continua não só nas bocas de fumo das favelas, mas também em toda a cidade. O "movimento" vai se deslocando com extrema rapidez.


O caso Amarildo veio trazer á tona velhas mazelas, velhos problemas. As velhas práticas solidamente arraigadas permanecem, a tortura como prática de interrogatório para arrancar confissões tem sido usada como "´método de interrogatório intensivo", fazendo lembrar épocas sombrias que deveriam estar definitivamente sepultadas. A venda de drogas a varejo continua. tiroteios constantes vem assustando os moradores, principalmente após o toque de recolher na parte alta da favela na Rua Um, no Laboriaux e recentemente no Valão, uma das principais vias de acesso da favela. Para as autoridades aconteceu um "racha" entre o bando do Nem. John Wallace da Silva o Johnny e Luiz Carlos Jesus o Djalma lutam pelo controle dos pontos de venda de drogas, e pelo refino da pasta de coca, que após uma longa viagem desde o altiplano dos Andes chega misteriosamente à Rocinha. Será que a velha e funesta prática de dividir para reinar interessa a todos ou apenas a um grupo que quer fazer uma "cortina de fumaça" às vésperas de uma eleição que se aproxima? A Rocinha está estrategicamente situada entre dois bairros de IPTU muito alto, Gávea e São Conrado não tendo limites definidos com os dois bairros. Por outro lado tem uma imensa população, ainda de números exatos indefinidos. Há quem diga 75 mil moradores, há quem fale em mais de 180mil. De qualquer forma numero bem maior do que muitas cidades brasileiras. Apesar do governador Cabral ter afirmado em discurso feito em inicio de mandato pregando um radical controle de natalidade, que seria a solução, as jovens mães da Rocinha continuam criando seus filhos na esperança de dias melhores que ainda hão de vir, apesar de promessas não cumpridas por autoridades que só visitam a "Roça" em época de eleições prometendo o que sabem que não vão cumprir.
Enquanto isso os moradores continuam com a paciência no limite esperando as tão prometidas obras do PAC2,a urbanização que não veio e temerosos de uma nova onda de remoções visando a especulação imobiliária.

a micro área roupa suja espera urbanização e saneamento

26 de out de 2013

UM ANO SEM MAURICIO AZÊDO

Oscar Mauricio de Lima Azêdo, presidente da ABI morreu aos 79 anos
atualizado em 25/10/2014
A TRIBUNA DA CÂMARA DE VEREADORES VAI SE CHAMAR MAURICIO AZEDO
Em uma época de grandes transformações, em que os rumos da ABI estão em jogo, é necessário que a luta de Mauricio continue como meta principal. Seus sucessores tem a obrigação de honrar o nome da Associação Brasileira de Imprensa e de seu verdadeiro presidente. A diretoria atual, presidente Domingos Meirelles e seus diretores tem denegrido a memória de Mauricio através de artigos e editoriais, que não refletem a verdade. Seria mais digno prestar justa homenagem como fez seu velho amigo e camarada Eliomar Coelho que teve seu projeto aprovado dando o nome de Mauricio Azedo para a Tribuna de Imprensa da Câmara de Vereadores.


O carioca, comunista e flamenguista Mauricio Azêdo teve sua trajetória de lutas interrompida aos 79 anos no dia 25 de outubro, no Hospital Samaritano, em Botafogo no Rio de Janeiro. Deixa sua esposa e companheira Marilka e duas filhas após uma luta árdua, sempre em defesa dos interesses nacionais. Mauricio foi um "homem pleno" na concepção dos antigos gregos e também um "sujeito homem" na definição dos morros cariocas no século XXI, ou seja aquele que reúne as características de independência, hombridade,controle sobre o próprio destino, enfim um homem que mantém a palavra, ao contrário daqueles de comportamento melífluo, deletério que migram ao sabor dos ventos, e dos acordos por trás dos panos, enfim o oposto daqueles que mantém um comportamento pouco honesto. Mauricio foi de fato um sujeito homem, um exemplo para todos aqueles que acreditam e lutam por um Brasil melhor, por um mundo melhor. Mauricio, nosso presidente vai permanecer vivo para sempre em nossa memória.


Mauricio Azêdo foi velado pelos amigos e parentes no Memorial do Carmo no Caju, Zona Norte do Rio.


Antes de fazer a sua viagem da vida corporal para a vida espiritual, como num rito de passagem Mauricio ditou á sua esposa Marilka sua última vontade política "Convocação para Lutas" uma chamada para os que lutam por uma causa justa. O documento qual uma carta-testamento da qual cito um trecho:" Estamos de volta com nossas ideias, nossa coerência, nosso passado e nossas propostas de luta pela libertação dos povos da América Latina" assinado Mauricio Azêdo vítima da ditadura brasileira.

1 de out de 2013

ROCINHA: PROMESSAS, APENAS PROMESSAS



A verdade da promessa ou o prognóstico depende da veracidade e também da autoridade de quem a pronuncia
Pierre Bourdieu     

PROMESSAS CONTINUAM E PREFEITO DIZ QUE PARA ACABAR COM A VIOLÊNCIA VAI DAR "BANHO DE LOJA"
AS UNIDADES PACIFICADORAS FRACASSARAM E O PAC-2 E PAC-3 FICARAM NO ESQUECIMENTO

foto Alcyr Cavalcanti all rights reserved

A Rocinha parece um santuário, a terra das promessas, muitas promessas, onde trabalhadores, bandidos e falsos heróis caminham lado a lado, fazendo de conta que acreditam em tudo aquilo que lhes é apresentado. Por um estranho fenômeno se assemelha a um vulcão aparentemente adormecido que pode entrar em ebulição de uma hora para outra, deixando um rastro de destruição.
O atual, prefeito bispo Crivella que visitou á favela no ´sétimo dia de tiroteios disse que é hora de "trocar as lâmpadas" e que vai dar um banho de loja na Rocinha. Crivella tem bases eleitorais sólidas na Rocinha, em uma das eleições teve transito livre para circular e panfletar em seus 16 sub bairros. Além do mais a Igreja Universal, da qual ele é uma das pessoas mais influentes tem um templo na entrada da localidade, o Largo da Macumba. Quem conhece bem as diversas áreas da favela, considerada bairro por decreto é o atual governador Luiz Fernando Pezão, que na época de vice-governador de Cabral era um "supervisor das obras" e visitava com bastante frequência e muita intimidade a parte baixa da Rocinha.
Desde a matança em serie no ano da graça de 1988,onde os "donos do morro" foram mortos sem dó nem piedade em "autos de resistência", muitas promessas foram feitas, algumas poucas foram cumpridas, muitas não. A UPP SOCIAL não saiu do papel, os índices de tuberculose e os casos de leptospirose são alarmantes, o desemprego principalmente entre os jovens é muito alto. O saneamento do Valão faz lembrar a dinheirama que escoou pelo ralo na época das obras do "Valão de Ouro".
Foto Alcyr Cavalcanti allrights reserved

A prometida pacificação apesar da implantação de Unidade Pacificadora-UPP primeiro passo para a UPP SOCIAL está longe de ser realizada. A simples troca de um oficial PM da chamada linha dura por uma mulher de voz suave e hábitos contidos não basta para trazer a tão almejada paz. A policia militar foi feita e desenvolvida como uma unidade de combate preparada para o enfrentamento, preparada para a guerra e não para a paz e harmonia. Voltando ao ano emblemático de 1988, a ocupação do "Flipperama da Rua 2" com a instalação de um posto policial, um DPO nada adiantou, o narcotráfico continuou e continua vendendo seu produto nas centenas de vielas da favela. A Rua 2 continua como um dos maiores pontos de venda de drogas a varejo em toda cidade, apesar da presença de centenas de policiais na localidade. Tiroteios constantes trazem pânico aos moradores. Os "arquivos mortos", de milhares de casos não esclarecidos continuam sem solução. Já basta o "Caso Amarildo" não por acaso morador da Rua 2 que vem se arrastando há meses, mas que ninguém consegue resolver.

foto Alcyr Cavalcanti all rights reserved
crianças ainda brincam, apesar da violência sem fim

Depois dos casos de torturas, estupros, pessoas indo pro saco em busca de informações, métodos medievais usados por uma policia despreparada que afirma aos quatro ventos que veio implantar a paz e promover a cidadania fica uma pergunta no ar: Para que serve a UPP?

18 de ago de 2013

O CASO AMARILDO E A POLITICA DE SEGURANÇA DO ESTADO

MARIANO BELTRAME PEDE PRA SAIR E UPPS SÃO CONTESTADAS
ESTADO CONDENADO A PAGAR INDENIZAÇÃO À FAMÍLIA DE AMARILDO

O espirito da Inquisição tem permanecido violando a dignidade da pessoa humana, com o discurso de uma nova ordem. Nunca houve tanta condenação, a maioria por narcotráfico. São "peixes pequenos" , pessoas excluídas da sociedade"
Desembargador Sergio de Souza Verani.

O Secretário de Segurança do Estado do Rio de Janeiro José Mariano Beltrame, delegado federal pediu demissão após dez anos à frente da política de segurança tendo como carro chefe o Projeto de Pacificação através das UPPS. O Projeto começou a ser posto em dúvida após o Caso do pedreiro Amarildo morador da Rocinha em 2013 (época da postagem inicial).
 Se estivesse vivo o pedreiro Amarildo de Souza faria 46 anos no dia 02 de junho, mas policiais da Unidade de Pacificação da Rocinha não permitiram que continuasse em vida na sua favela. No dia 14 de julho de 2013 Amarildo, morador da Rua2 na Rocinha foi sequestrado, torturado por policiais da UPP que teriam vindo trazer a Paz para uma localidade com mais de 150 mil habitantes. Oito policiais militares foram condenados por tortura seguida de morte, ocultação de cadáver e fraude processual. O major Edson Santos comandante da UPP foi condenado a treze anos e sete meses.  Dois anos se passaram e quase nada mudou, muitas promessas do PAC-1, PAC-2 não saíram do papel. A paz ainda não veio e Amarildo continua desaparecido. Por decisão judicial o Estado foi condenado a pagar R$ 3,8 milhões à sua família. Para seus parentes a indenização não vai pagar a dor que sentem e ainda vão sentir para sempre.
Foto Alcyr Cavalcanti Protestos pressionaram governantes all rights reserved


A política de segurança implantada no governo Cabral pelo secretario Mariano Beltrame e seguida fielmente pelo atual governador L.F. Pezão está aos poucos sendo desmontada. Apesar da intensa repressão os índices de criminalidade tem aumentado, em especial o de assassinatos na cidade do Rio de Janeiro. Assaltos, chacinas e principalmente homicídios dolosos tem alcançado taxas alarmantes. A prometida pacificação ainda não veio, apesar da intensa propaganda feita pelos marqueteiros de plantão. As mais de trinta favelas onde as UPPs foram implantadas continuam esperando as melhorias prometidas. As outras 950 localidades continuam abandonadas colocando em xeque a propalada eficiência da segurança pública. Bandidos migraram para Niterói e São Gonçalo aterrorizando os moradores. Muitos meses se passaram que Amarildo desapareceu. Na Rocinha todo o mundo sabe como foi, e quais foram os autores do sumiço do morador da Rua2, mas oficialmente ninguém fala, ninguém viu. Quem tem paciência (e coragem) de andar pelas inúmeras vielas da favela, vai ouvir uma série de relatos impressionantes, alguns ligados diretamente ao caso que abalou a opinião pública, outros depoimentos que vem mostrar que a propalada pacificação ainda está longe de ser alcançada. Em novembro de 2011 a Rocinha foi invadida com grande aparato bélico, para depois ser instalada uma UPP na área denominada Portão Vermelho, no alto do morro. Centenas de policiais militares ocupam a favela fazendo o controle social, com a única finalidade de reprimir o narcotráfico e os diversos jogos que ocupavam boa parte da imensa localidade. No entanto, as prometidas mudanças foram esquecidas. A Rocinha ainda espera que o trombeteado PAC2 saia do papel e das paginas dos jornais.
A Operação "Paz Armada" em julho de 2013 foi mais uma invasão de poucos resultados práticos, uma espécie de "cerco cirúrgico" para afastar turistas de um local indesejável. Muitas prisões foram feitas causando danos irreversíveis a pessoas inocentes. Foi o caso do garçom Alex Ferreira preso arbitrariamente um dia antes do sumiço de Amarildo, que estava com extensa documentação comprovando ser trabalhador, mas que foi preso assim mesmo, tendo seus direitos fundamentais desrespeitados.

All rihgts reserved Photo Alcyr Cavalcanti

Até agora o que aconteceu foi uma troca de comando, muito mal sucedida, pelo menos até agora. Sai Antônio Bonfim o Nem, o "chefe do morro" agora em presidio de segurança, entra o major Edson Santos da UPP. Sai o major Edson entra a oficial PM Priscila. Pouco ou nada mudou, a violência é a tônica na "maior favela da América do Sul", o que podemos ver passeando pela favela é o medo generalizado e as conversas em voz baixa, quase sussurrando quando a "tiragem" está por perto. Testemunhas acusam policiais que ocupam a favela de todo o tipo de arbitrariedades, inclusive torturas e ameaças de morte e mesmo execuções. Em depoimento na Delegacia de Homicídios dois moradores acusam o major Edson de terem sido obrigados a mentir afirmando que Amarildo tinha sido executado por ordem do "chefe do tráfico local Thiago da Silva o Catatau. Em troca, a PM pagaria o aluguel de moradia em local distante, para preservar o casal. O major nega as acusações.
Em um passeio para reencontrar velhos amigos em local próximo ao Valão, no meio de um carteado, foi feito um pequeno relato da atitude extremamente agressiva de um PM da Unidade Pacificadora "Eles não respeitam nada, nem ninguém. Outro dia um bêbedo estava fora dos limites no Boiadeiro, o PM discutiu com o infeliz e deu um tapa na cara dele, e ameaçou tirar a pistola. Fiquei revoltado e disse pra ele não fazer isso de novo. O soldado me olhou com muita raiva, então eu disse pra ele que moro há mais de 50 anos na favela e não tenho nada a dever. O vento que venta lá, venta aqui também. O PM foi embora resmungando e dizendo um monte de palavrões". O relato foi feito por morador meu amigo de velhos e longos carnavais que já sofreu amaças de todos os lados, mas nunca se intimidou. O jogo de cartas continuou, em meio a goles de cerveja, bem geladinha.
E eles estão em quase todos os lados, o que não tem impedido o comercio de venda de drogas, a varejo, que continua segundo afirmação da autoridade policial na invasão de 12/07/2013 com quase uma centena de pontos de venda. Aos poucos fatos vão aparecendo, relatos vão sendo registrados no dossier volumoso e cheio de versões. O soldado Douglas Roberto Vital foi acusado por agressão e ameaças de morte contra moradores da comunidade. "Ele dizia a toda hora que ia me matar", disse o menor de 16 anos, primo de Amarildo, preso pelo PM Douglas que ainda foi "colocado no saco", ou seja um processo de tortura que consiste em asfixiar a pessoa colocando um saco plástico em sua cabeça para impedir a respiração. Algumas pessoas não resistem e morrem durante ao método. Para a policia é apenas uma das muitas "técnicas de investigação intensiva" , talvez intensa demais. Como se não bastasse colocaram a cabeça do menor em uma privada e deram descarga, uma tentativa de afogamento em fezes. São uma triste herança dos métodos usados pelos generais da "Batalha da Argélia", adaptadas ao solo pátrio durante anos sombrios. O preso politico Jarbas Marques, um sobrevivente a dezenas de torturas, pelos diversos órgãos da repressão, hoje anistiado, relatou à Comissão de Anistia que ficou surdo devido à diversas inflamações devido à técnica de afogamento na privada.

Photo Alcyr Cavalcanti all rights reserved
Para o sociólogo Ignácio Cano da UERJ o modelo de segurança das UPPs já se esgotou. As torturas, assassinatos e desaparecimentos continuam nos dias de hoje, desafiando os Direitos Humanos e impedindo a construção de um Estado verdadeiramente democrático. Na Rocinha além da troca de comando, mais de 70 PMs foram remanejados, mais de 15 estão presos mas a violência continua ainda sem controle. Fica uma pergunta: "A UPP veio trazer a paz, e a melhoria de vida, ou foi apenas uma satisfação para uma parte da sociedade?".

7 de ago de 2013

GOVERNO CABRAL, FIM DE FESTA

CABRAL CONFRONTA JUIZ MARCELO BRETAS E VAI SER TRANSFERIDO PARA PRESIDIO FEDERAL
DESDE 2013 CABRAL É ALVO DE DENÚNCIAS E PÉSSIMA ADMINISTRAÇÃO MAS CONSEGUIU ELEGER SEUS AFILHADOS
O ex-governador Sergio Cabral em depoimento ao Juiz Marcelo Bretas se disse perseguido pelo Ministério Público e acusou o juiz de tentar se promover às suas custas e que teria sido um excelente governador onde empresários faziam fila para apresentar projetos e citou a família do juiz. Marcelo Bretas pediu sua transferência para um Presídio Federal.
Cabral dominou durante mais de uma década a politica fluminense, foi reeleito no primeiro turno com quase 70% de aprovação, enfrenta agora a maior rejeição popular de todos os governadores. A gota d'água foram os protestos de junho que devem continuar até a sua saída. O seu partido PMDB tem o maior número de prefeituras do estado, a maioria por causa da política do "toma lá, dá cá", o velho caciquismo que ainda prolifera na maior parte do Brasil. Com o apoio (ainda) da presidente Dilma, consegue sobreviver. Mas até quando, é a pergunta que fica no ar, seu prestígio que fica reduzido a meia dúzia de cabos eleitorais, parece ter chegado ao fundo do poço. A "dobradinha" Pezão/Beltrame parece ter sido enterrada para sempre, embora os marqueteiros de plantão à custa de nosso dinheiro estão traçando estratégias para a continuidade de Cabral através de seu preposto o vice-governador Luis Fernando Pezão.

foto Alcyr Cavalcanti all rights reserved reprodução proibida

O calvário do Cabral começou com os protestos contra o desperdício da enxurrada de dinheiro nas obras do Maracanã, inicialmente orçadas em R$700 milhões, o custo foi subindo, subindo, até chegar a mais de um bilhão e duzentos milhões de reais. Em declarações feitas às vésperas da Copa das Confederações Cabral ao ser perguntado sobre os custos das obras declarou em alto e bom tom: "Poderá aumentar devido a fatores imprevisíveis". E aumentou em mais R$60 milhões, devendo subir muito mais. Afinal não sai do bolso dele mas de nós contribuintes. Não contente com o orçamento faraônico tentou destruir a "Aldeia Maracanã", a Escola Friedereich,O Parque Aquático e o Estádio de Atletismo, isto às vésperas da Olimpíada deixando as equipes sem lugar para treinar.

foto Alcyr Cavalcanti reprodução proibida all rights reserved

A propalada pacificação das favelas, projeto que seria estendido a todo país, tem demonstrado que foi somente para o controle social das localidades próximas aos eventos programados. Foi estabelecido um "cinturão de segurança" para os convidados, mas o projeto tornou-se inviável, afinal o que fazer com as mais de 900 favelas? As UPPs estão atuando em torno de trinta. É a velha politica do "enxuga gelo", do cobertor curto. A bandidagem migra de uma favela para outra, da favela para o asfalto. Não é sem motivo que o comércio da venda de drogas a varejo chama-se movimento. E foi justamente em favelas ditas pacificadas, ou seja ocupadas pela PM, que tem havido casos de torturas, violações de direitos humanos, atingindo seu ápice no "Caso Amarildo" na Rocinha, que veio a ocorrer um dia depois de mais uma invasão policial, e às vésperas da visita do Papa Francisco para a Jornada Mundial da Juventude.


Apesar das "voz rouca das ruas" gritarem "Fora Cabral" o governador parece querer continuar no poder e pensa até em eleger sucessores para dar continuidade ao seu mandarinato. Cabral acredita que o fisiologismo prevaleça, e que a voz das ruas transforme-se em uma choradeira. Os apelos (e ameaças)aos caciques de Brasília estão cada vez mais intensos.O deputado Marcelo Freixo em entrevista ao Brasil de Fato afirmou: "Cabral perdeu moral para governar. Nem para ser sindico. Este governador é patético"

foto alcyr Cavalcanti reprodução proibida all rights reserved

Os protestos em frente ao apartamento de Cabral no Leblon continuam, segundo organizadores, até sua saída, infernizando a vida de sua vizinhança. Os gritos de "Fora Cabral" soam como um mantra, acompanhados pelo som de "rock heavy metal" e oferendas para conseguir seus intentos. O inferno astral do "Cabralzinho" apenas começou. Os manifestantes já pensam em convidar Cabral a tomar um drink no inferno, à maneira do cineasta Roberto Rodriguez.

3 de ago de 2013

CASO AMARILDO, POLICIAIS DA UPP SÃO SUSPEITOS

atualizado em 12/08/2013

Moradores da Rocinha descem o morro para protestar
Após quase um mês os moradores continuam perguntando: "Onde está Amarildo?". As investigações continuam, passaram da 15a DP na Gávea chefiadas pelo delegado Orlando Zaccone para o delegado Rivaldo Barbosa da Divisão de Homicídios. As autoridades policiais não chegaram a nenhuma conclusão, com opiniões em conflito o que pode abrir uma crise de autoridade no inquérito. Enquanto o delegado Ruchester Marreiros acusa a família de Amarildo (o pedreiro inclusive) de ligações com o narcotráfico, o delegado Orlando Zaccone ficou revoltado com as declarações e postou em uma rede social: "Criminalizar Amarildo e sua família é uma tentativa desesperada de legitimar a violência e o desastre da guerra às drogas" e comparou a afirmação às infelizes e fantasiosas declarações da existência de armas químicas no Iraque, um mero pretexto para uma invasão armada e um extermínio seletivo. Uma gravação em vídeo de câmera situada na Rua2 mostra Amarildo sendo levado para a UPP por policiais militares. Foi a ultima imagem do pedreiro. As câmeras da Unidade Pacificadora estavam desligadas, ou com defeito. Os moradores estão revoltados com as acusações e fizeram ato no Dia dos Pais protestando com as declarações do delegado Ruchester. Para Elisabeth é tudo uma grande farsa para encobrir a verdade, e revoltada garantiu que não vai descansar enquanto o assassino não for preso e entregue à justiça.

Na quinta feira 01/08 os moradores bloquearam o acesso ao Túnel Zuzu Angel, a principal ligação da Zona Sul com Barra da Tijuca causando um enorme engarrafamento. As duas pistas da autoestrada Lagoa Barra foram tomadas por centenas de manifestantes que cobravam das autoridades uma resposta para o desaparecimento do morador da Rocinha.


Elisabeth Gomes mulher de Amarildo não acredita que Amarildo esteja vivo, e reclama da incapacidade da policia em dar uma solução para o sumiço do pedreiro. Ela vive sob forte tensão e teme ser executada como vingança, e pede a proteção de seus vizinhos da Rua Dois. Na quinta feira Elisabeth e vários moradores fizeram orações e acenderam velas em memoria ao seu marido. Junto com as orações os moradores gritavam :"O povo quer justiça, mas quem manda é a policia" e pediam a retirada da UPP, para eles a única culpada pelo desaparecimento.
Elisabeth Gomes esposa de Amarildo

O apelo dos moradores chegou até Brasília, a ministra Maria do Rosário da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da Republica afirmou que a policia é a principal suspeita do desaparecimento do pedreiro Amarildo, para ela "A situação de Amarildo não pode cair em uma amplitude tal, que tenhamos como resposta que muitas pessoas estão desparecidas após abordagem policial. A primeira suspeição que devemos ter é a de responsabilidade pública pelo desaparecimento dele" cobrando providências. As palavras não soaram bem aos ouvidos do secretário Mariano Beltrame que embora respeitando a opinião da ministra acha que qualquer afirmação seria leviana antes da conclusão das investigações, embora o desparecimento tenha ocorrido há quase três semanas e nada tenha sido esclarecido. O secretário esqueceu um detalhe, a PM tem atuado com extrema violência, principalmente nas favelas cariocas. Deisi de Carvalho não mora na Rocinha, mas veio se juntar às centenas de vítimas da violência policial. Ela teve seu filho André Luiz morto por agentes do DEGASE após ter sido espancado.



Os protestos se estendem a todo o Brasil, atingem a cúpula da policia, o coronel Erir Costa Filho é exonerado por Beltrame para acalmar a opinião pública, mas a pergunta que não quer calar fica sem resposta:
"Cabral/Beltrame, onde está Amarildo?"

31 de jul de 2013

AMARILDO,NEM VIVO NEM MORTO: DESAPARECIDO

 QUATRO ANOS DEPOIS CASO AMARILDO CONTINUA SEM SOLUÇÃO

Desde tempos imemoriais foi estabelecido o direito de sepultar os mortos para serem lembrados por meio de rituais e orações. Na cidade do Rio de Janeiro em 2013 esse direito foi negado.


No dia 14 de julho de 2013 há mais de dois anos o pedreiro Amarildo de Souza foi preso, torturado e morto por policiais militares. Continua até hoje desaparecido. Há alguns meses atrás apareceu nova versão para seu desaparecimento ocupando manchetes de jornal. A imensa população da Rocinha pergunta "porque a novidade só apareceu depois de dois anos?". Agora até o BOPE aparece como suspeito de carregar o corpo do pedreiro envolto em saco plástico para ser "desovado" em algum terreno onde jamais seria achado. Testemunhas aparecem e desaparecem. Muitas pessoas da Rua 2 e da Estrada da Gávea viram muita coisa, mas quem vai falar? Fica a velha lei em ficar de boca bem fechada e olhos bem atentos.
Lucia Helena, testemunha ocular do caso Amarildo desapareceu desde agosto de 2014, conforme declarações da Promotora Carmen Eliza Carvalho do Grupo de Investiga o Crime Organizado. A Justiça determinou pagamento de pensão à viúva de Amarildo, e parentes do pedreiro vão receber tratamento. Elisabeth viúva de Amarildo vai receber por enquanto salário mínimo, mas corre na justiça indenização por danos morais, reparação pelas ameaças, torturas que sofreram por parte de agentes do estado. Amarildo, morador da Rocinha é mais um número entre os milhares de casos de pessoas desaparecidas no Rio de Janeiro, que ficam sem nenhuma solução. Em debate ocorrido na Universidade Federal Fluminense sobre direitos humanos há três anos atrás fiz relato ao então Secretario de Direitos Humanos da Presidência da República Paulo Vannuchi Leme que as execuções, torturas e desaparecimentos ocorridos no estado superavam em muito as mesmas violações ocorridas durante os anos de chumbo, no período 1964/1985.O ministro ficou estarrecido.
O sumiço de Amarildo ocorreu em 14/07/2013,dias depois da invasão da Rocinha por mais e 300 policias com a alegação de cumprir mandados de prisão.
A esposa de Amarildo Elisabeth Gomes tem muito medo de sair da favela, temendo represálias por parte de policiais da Unidade de Policia Pacificadora-UPP da Rocinha. O governador Sérgio Cabral pressionado pelos protestos dos moradores ocorridos semana passada ocupando as duas faixas da autoestrada Lagoa Barra e a entrada do Túnel Zuzu Angel recebeu os familiares de Amarildo prometeu dar prioridade ao caso, e propôs a inclusão de Elisabeth e seus filhos no Programa de Proteção a Testemunhas. Ela recusou dizendo que em sua casa se sentiria muito bem protegida pela comunidade, que está revoltada com o desaparecimento do pedreiro. Buscas foram feitas em vários pontos da Rocinha, mas nada foi encontrado. Ontem foi encontrado o cadáver de uma pessoa no Valão que fica na parte baixa da localidade, mas verificaram que era de uma mulher, provavelmente de pessoa dependente de crack.
O delegado Orlando Zaccone da 15a DP na época pensou em concluir o inquérito, que vai passar para a Delegacia de Homicídios-DH sediada na Barra da Tijuca. Para ele não restam mais dúvidas Amarildo foi assassinado.


A ONG Rio de Paz que organizou protesto simbólico em Copacabana afirma que desde 2006 foram 35 mil casos de desaparecimento, a maior parte de mortes por execução. Um morador do Valão que não quis se identificar temendo represálias, disse que foi uma queima de arquivo, Amarildo sabia demais. O juiz Luiz Henrique Oliveira Marques não compartilha desta opinião e negou o pedido de morte presumida requerido pela família de Amarildo através de seu advogado João Tancredo.


Muitos protestos já foram feitos, mas os moradores da Rocinha prometem novos protestos, até que tudo seja definitivamente esclarecido e os culpados sejam condenados.

29 de jul de 2013

O CALVÁRIO DOS PEREGRINOS

Papa Francisco nota dez, Cabral e Paes nota zero

Não vou me esconder. Tenho de estar perto das pessoas. Não sou um faraó.
Papa Francisco


Os milhares de jornalistas estrangeiros assistiram estupefatos à serie de erros grosseiros ocorridos durante a Jornada Mundial da Juventude. Um misto de incompetência e corrupção quase fizeram sucumbir um evento grandioso que só a presença do Sumo Pontífice e seu enorme carisma, aliado à alegria contagiante de milhões de peregrinos que conseguiram superar as dificuldades imensas que quase tornaram a JMJ um fracasso.

Cadê o "Padrão Fifa" foi a pergunta mais ouvida pelas autoridades perdidas sem saber o que fazer. O Campus Fidel em Guaratiba foi erguido em cima de terreno pantanoso, e com a chuvarada que castigou o mês de julho virou um imenso lodaçal. Apesar do prefeito ter declarado "que a chuva não era natural neste período" o Alerta Rio já havia previsto chuvas intensas durante o mês de julho. Os moradores da Zona Oeste que esperavam com ansiedade a visita do Papa que traria melhorias e obras de urbanização ficaram decepcionados. Ficou a suspeita (quase certeza) que foi mais um favorecimento envolvendo governantes com empresas do "rei dos ônibus" Jacob Barata. O deslocamento feito às pressas para Copacabana sacrificou milhões de peregrinos que tiveram de se deslocar, a maioria a pé graças ao precário sistema de transportes da cidade. A paralisação de mais de duas horas do Metro obrigando os passageiros a andar pelos trilhos foi algo indesculpável que somente a incúria dos governantes cariocas poderia proporcionar à imensa legião de fieis que ficaram imensamente decepcionados.

peregrinos enfrentam filas imensas na estação metro carioca

Para salvar a JMJ São Pedro o primeiro bispo de Roma atendeu às súplicas dos fiéis mediadas por Santa Clara, trazendo um pouco de sol e alegria para o ultimo dia da Jornada da Juventude levando quase três milhões de fieis para Copacabana. Fica um saldo positivo para o Papa Francisco e uma nota negativa para a série de desmandos que a indiferença de um governo que vai se afastando cada vez mais da imensa população de nosso estado. Nas ruas foi ouvida uma só voz: "Fora Cabral".

24 de jul de 2013

FRANCISCO, ARAUTO DE DEUS

PAPA FRANCISCO UM JESUÍTA FRANCISCANO PROMOVE A PAZ ENTRE AS FARC E O GOVERNO DA COLÔMBIA
O PAPA FALOU SOBRE A PRESERVAÇÃO DA AMAZONIA, UM  SANTUÁRIO
FRANCISCO FALOU PARA UM MILHÃO DE FIÉIS E DISSE PARA DEIXAREM DE LADO O ÓDIO E A VINGANÇA E CRITICOU A DESIGUALDADE SOCIAL
PADRE OLIVERIO MEDINA ASILADO NO BRASIL TENTOU PROMOVER A PAZ ENTRE AS FARC E O PRESIDENTE DA COLÔMBIA
foto Alcyr Cavalcanti all rights reserve

Algumas pessoas me dizem: "Padre, os políticos não estão fazendo nada". Eu respondo: "Mas e você,
o que está fazendo? Se não fez nada então grite. Nunca desanimem, não deixem que se apague a esperança"

Papa Francisco
Imagens do Papa em Visita ao Brasil
O Pastor Peregrino está na Colômbia em sua práxis de fazer a Paz e celebrar o processo de pacificação entre as Forças Armadas  Revolucionárias da Colômbia-FARC e o Governo Colombiano do presidente Juan Manuel Santos. Em missa para um milhão de fiéis em Bogotá o Papa pediu que as pessoas deixassem de lado o ódio e a sede de vingança e criticou a imensa desigualdade social. Em uma reunião com os bispos o "Bispo de Roma" fez uma dura preleção e disse para deixarem a política e procurar o rebanho de fiéis, pois os padres não são nem políticos nem técnicos e sim pastores de Cristo.  Em sua peregrinação fez questão mais uma vez cobrar dos governantes a preservação da Floresta Amazônica, um santuário natural da humanidade. Foi uma crítica direta ao governo Temer que tenta privatizar por meio de um decreto uma enorme área de preservação natural.
 As FARC, o mais antigo grupo guerrilheiro de formação marxista-leninista formado há mais de quarenta anos, teve entre  outros revolucionários seu lider Tirofixo, concordou em baixar e entregar as armas e partir para o entendimento. Outro grupo revolucionário Exército de Libertação Nacional-ELN também concordou em entregar o armamento consolidando o processo de paz.  Padres da Igreja católica sempre procuraram a libertação dos despossuídos como o Padre Olivério Medina preso várias vezes por pertencer ás FARC e depois asilado no Brasil e organizou vários encontros com a finalidade de por fim à luta fratricida entre cidadãos colombianos. As FARC chegaram a ocupar grande parte do território colombiano, principalmente na região de grande plantio de folhas de coca, usada como processo ritual e curativo pelos camponeses. Por deterem grande extensão territorial na Colômbia eles cobravam uma taxa (imposto) pelo uso da terra.
 O argentino Jorge Mario Bergoglio  é  o novo Papa. Em fevereiro após a renuncia de Bento XVI ao trono de São Pedro o bispo Bergoglio de Buenos Aires foi escolhido para ser o novo pontifice. É a sua primeira visita oficial para a Jornada Mundial da Juventude-JMJ, em uma cidade mergulhada em uma serie de protestos que há mais de um mês se espalharam por todo o país. Na cidade cujo padroeiro é São Sebastião também cultuado como Oxóssi, mas que também venera Jorge-Ogum ele tem a missão difícil de trazer paz e esperança para uma juventude desesperançada pelo descaso de sucessivos governos ineficientes e mergulhados em corrupção. À maneira de São Francisco de Assis imortalizado pelo cineasta Roberto Rossellini em Francesco, Giullare de Dio ele se aproxima do povo, dos despossuídos, dos marginalizados,

foto Alcyr Cavalcanti all rights reserved

O Bispo de Roma vai encontrar o Brasil em meio a uma crise mas sua missão é trazer seus fiéis para a fé em Cristo, que pregava a humildade, a caridade, a solidariedade para com todos, indiscriminadamente. No inicio os primeiros cristãos praticavam fielmente os princípios ensinados por Jesus, a verdadeira comunidade, no sentido de plena união. Com o passar dos anos muitos desses princípios foram esquecidos por muitos e praticados por alguns. Papa Francisco procura mostrar uma igreja mais austera, com menos pompa e circunstância. Sua comitiva é bem menor do que pontífices anteriores, e até do que alguns supremos mandatários brasileiros que viajam com um séquito cada vez maior, para garantir votos nas eleições que se avizinham.

fotoAlcyr Cavalcanti allrights reserved

O novo papa é um admirador de João Paulo II que veio três vezes ao Brasil. e é venerado pelos seus fiéis, que pedem sua canonização. Acompanhei as visitas de "João de Deus" ao Brasil e testemunhei a devoção de milhares de devotos, à procura de palavras de fé, esperança e caridade.

Papa J Paulo fotoAlcyr Cavalcanti all rights reserved
Papa João Paulo II está preocupado com os desmandos do governador As autoridades locais parecem não comungar das mesmas ideias do Sumo Pontífice, desprovidos do espirito cristão de solidariedade não tem demonstrado nenhum interesse pelos milhares de peregrinos que vieram ao Brasil. O menos pior dos transportes urbanos fracassou, além de não dar vazão a uma situação de emergência ficou parado durante mais de duas horas na terça feira deixando não só os devotos de Cristo sem condução, mas também os usuários do metro. Muitos andaram a pé por entre os trilhos das estações. Como se não bastasse o Campus Fidel virou um mar de lama, tornando impossível a realização de missa campal para mais de um milhão de pessoas. Muitos fiéis tiveram de se deslocar da Zona Oeste para Copacabana. Fica uma pergunta no ar: Como vai ser durante a Copa??

14 de jul de 2013

A ERA BOLADO, UM BREVE E INTENSO REINADO

"Bolado foi o único socialista, dividindo com os pobres tudo que ganhava com seu comércio. Morreu sem um centavo"
Eliza Pirozzi
SERGIO BOLADO, UM "BANDIDO FORMADO"
"Eu tenho nojo de dinheiro, mãe, dinheiro é uma coisa muito suja" costumava dizer Sérgio Bolado para sua mãe Dona Maria de Lourdes, mineira, moradora da Rocinha desde a década de 40, Sergio Ferreira da Silva o Bolado era um jovem entregador de remédios de uma farmácia até tornar-se o maior narcotraficante do Rio de Janeiro. Bolado era o que podemos chamar de um "bandido formado" conforme a conceituação da antropóloga Alba Zaluar, que faz a diferença entre esse tipo e o "bandido porco", ou seja aquele que desrespeita as regras de convivência da comunidade. Seu começo foi como caxangueiro assaltando residências na Zona Sul e aos poucos foi ganhando a confiança de Denir Leandro, o Denys. A "Era Bolado" foi marcada principalmente pela disputa travada com o jogo do bicho na favela. Era uma rixa pessoal contra Luís Carlos Batista, contraventor, dono dos pontos de bicho na Rocinha e Vidigal. No centro da disputa além do domínio territorial, estava o carinho e amizade da líder comunitária Maria Helena. Bolado sucedeu a Dedé, executado pelo grupo no bunker da Rua Dois. A ordem veio de dentro da cadeia.

Sergio Bolado foto Alcyr Cavalcanti all rights reserved
Conheci Bolado em uma tarde quente em janeiro de 1988, durante minha temporada na "maior favela da América do Sul". O sol estava a pino, quase cinquenta graus. Estávamos eu, o repórter Jorge Barros e o motorista Sombra tentando desvendar o que havia por trás de uma serie de versões sobre a matança quase diária na "Guerra da Rocinha". Havia um pequeno detalhe, estávamos procurando trabalhar sem a identificação de jornalistas a serviço do Jornal do Brasil. A imprensa era indesejada na favela, após a publicação do grupo do Bolado em destaque no JB, com um detalhe, estavam todos armados e com o rosto descoberto. As imagens foram obtidas em um churrasco oferecido pelo bando aos repórteres intermediado pelo Geraldo da Caipira,  figura da contravenção e muito querido por todos, com a condição de não serem fotografados nem gravados. O acordo não foi cumprido, o que para o grupo era traição imperdoável, com o agravante das fotos terem ido parar misteriosamente na mesa do delegado Peter Gersten, o segundo homem em importância na política de segurança do Rio de Janeiro. A estratégia quase foi fatal, os dois lados da disputa tinham certeza que éramos policiais fazendo levantamento. A duvida era se pertencíamos à PM2 ou à Policia Federal. Na época alguns jornalistas tinham densas relações com o aparato repressivo. Felizmente Jorge e eu sabíamos praticar nosso oficio de apenas informar, de procurar a verdade por detrás das aparências, sabendo que jornalista não é policial nem bandido, é apenas jornalista.
Sergio Bolado após intenso tiroteio com o grupo rival (os encapuzados) conseguiu nossa rendição, e uma provável execução por um tribunal inclemente. Seu braço direito Buzunga iria nos executar após a rendição. Bolado a frente de um grupo com quinze homens muito bem armados segura o cano do fuzil do imediato e promove a sentença:" Aqui quem manda matar, quem manda viver, sou eu. Eles dizem que são repórteres, quero a ver a matéria deles amanhã, contando tudo, senão vou buscar cada um onde estiver".
foto Alcyr Cavalcant all rights reserved

A matéria foi publicada em destaque no Caderno Cidade do JB, mostrando a destruição causada pelos encapuzados, grupo rival, uma proto-milícia. Depois de alguma negociação, ele nos deu uma longa entrevista publicada sem nada omitir, nem modificar em uma edição especial em fevereiro com o título "Rocinha SA" editada por Zuenir Ventura. A partir dessa data ficamos amigos. Afinal tínhamos uma divida de sangue com ele. O líder comunitário Jorge Mamão figura muito querida na Rocinha repreendeu a um pequeno aprendiz de traficante desconfiado com a minha presença desenvolta no Largo do Boaideiro que o menino me respeitasse porque "Eu já tinha passado no teste de fogo". Bolado nos deu uma sentença de vida, o que possibilita minha entrada na Rocinha até os dias de hoje, para rever velhos amigos.

1 de jul de 2013

COPA DAS MANIFESTAÇÕES

Brasil campeão na bola e nos protestos




A vitória incontestável da seleção brasileira deu alegria merecida e provavelmente fugaz a um povo que tem sido constantemente explorado em vários níveis. A truculência policial durantes os protestos nas principais cidades, em especial no Rio de Janeiro e São Paulo contra um péssimo sistema de transportes tem mostrado um despreparo do aparato policial que pode levar a uma escalada da violência a níveis incontroláveis. Ameaças, agressões, emprego de armamento não letal, mas que pode levar à morte desde que usado indiscriminadamente, tem vitimado não só jornalistas que estavam somente cumprindo a tarefa de informar à população, mas também atingindo manifestantes que pacificamente estavam protestando contra uma serie de desmandos por parte dos governantes, que arrecadam montanhas de dinheiro e muito pouco oferecem em troca. Causa surpresa que um Estado que se diz democrático-popular fique agindo como em tempos sombrios onde tudo era proibido, principalmente o direito à informação. Desde os primeiros protestos o aparato repressivo ficou voltado para profissionais da imprensa que estavam procurando registrar momentos para a historia.
No Rio de Janeiro a violência policial atingiu o ponto máximo durante as manifestações do dia 20/06 onde mais de 400 mil pessoas protestaram inicialmente de forma pacífica. A maior parte dos protestos foi dirigida ao Governo Estadual, principalmente contra os gastos excessivos na reforma do "Novo Maracanã", com orçamento inicial de pouco mais de R$600 milhões, que passou como num golpe de mágica para um bilhão e duzentos milhões de reais, podendo ser reajustado conforme declarações do governador Cabral que alegou "fatores imprevisíveis". Apesar da beleza arquitetônica o preço dos ingressos segundo o "Padrão Fifa" tem afastado o povão do antigo Templo do Futebol. Enquanto a torcida vibrava com os dribles de Neymar manifestantes do lado de fora foram encurralados pela tropa com cassetetes, bombas e armamento de "efeito moral". O Padrão Fifa tornou-se um critério de qualidade, mas foi adotado somente no estádio, enquanto isso escolas e hospitais ficam abandonados, professores e médicos tem precárias condições de trabalho e salários aviltantes trabalhando em uma outra realidade, em um "Padrão Cabral" onde a propaganda não corresponde aos fatos.


A população tem se sentido acuada, a violência tem se generalizado, carros de reportagem tem sido incendiados, jornalistas vitimados, lojas saqueadas em uma situação que foge ao controle, podendo levar a uma luta de todos contra todos



A sociedade espera respostas imediatas por parte dos governantes que ainda não estão acreditando na revolta popular. Foram anos e anos da mais completa indiferença face aos problemas que poderiam e deveriam ter sido solucionados, pelo menos em parte. Acorda Brasília.

14 de mai de 2013

O MARACA NÃO É MAIS NOSSO

RATOS DE RUA IMITAM RATOS PALACIANOS NO MARACANÃ ABANDONADO ROUBAM TUDO O QUE PODEM ROUBAR
DESCASO COM UM SÍMBOLO DO FUTEBOL CINCO VEZES CAMPEÃO 
 EM 2014 A OBRA PASSOU DE R$750 MILHÕES PARA R$1,2 BILHÕES
OPERAÇÃO DA POLICIA FEDERAL APUROU IRREGULARIDADES EM ESTÁDIOS DA COPA 2014

Domingo eu vou ao Maracanã, vou torcer pro time que sou fã
Vou levar foguetes e bandeiras, não vai ser de brincadeira, ele vai ser campeão
Não quero cadeira numerada, vou ficar na arquibancada, pra sentir mais emoção

Neguinho da Beija-Flor


 Maracanã no dia da inauguração foto Alcyr Cavalcanti all rights reserved
O descaso dos irresponsáveis por um dos símbolos do futebol, paixão nacional o Maracanã, merecia um largo processo para apurar responsabilidades por uma destruição anunciada. Como se não bastasse o superfaturamento na obra do "maior estádio do mundo" agora entregue às baratas e aos ratos, literalmente, o Maracanã teve uma sucessão de peças históricas roubadas. Bustos de cobre de valor inestimável, fios, aparelhos de TV, vagabundos roubam tudo que podem roubar, e o jogo de empurra entre governo do estado, empreiteiras continua, sem nenhuma solução à vista. A iluminação do Maracanã era feérica, lindíssima um colírio para os olhos, mas agora por falta de pagamento o estádio vive às escuras.
O povo quer saber, porque a obra do "maior estádio do mundo" passou de R$750 milhões para R$1,2 bilhões e o TCE não conseguiu ainda explicar. O site da Revista Época em  reportagem de Samantha Lima  em sua edição afirma que o então governador Sergio Cabral cobrou um pedágio de 5% para que as construtoras Andrade Gutierrez e Delta participassem da reforma do estádio do Maracanã para a Copa 2014. A contribuição mensal também teria sido de R$350 mil. A transformação de um estádio na Arena Maracanã passou de R$750 milhões para mais de R$ 1,2 bilhões. A  Operação Fair Play da Policia Federal apura irregularidades na construção de estádios da Copa pela Odebrecht, principalmente a Arena Pernambuco, na região metropolitana de Recife. O Itaquerão e o Maracanã também estão sendo investigados.
Inaugurado em 1950 o "templo do futebol" onde os deuses da bola foram venerados deixa de ser nosso.
Após uma serie de negociações onde os torcedores não foram ouvidos, ele passa para o domínio de um grupo que só pensa no lucro, e da paixão nacional nada entende. O Maracanã nasceu em uma época em que a honestidade era a tônica, em sua obra feita para durar séculos foram gastos muito mais sacos de cimento (500mil, concreto e aço do que normalmente poderia ter sido utilizado, talvez para resistir aos ventos de mais de 90km.
Anos e anos de administrações mal sucedidas com raras exceções corroeram a estrutura do "maior estádio do mundo. O público era em dia de grandes jogos superior a 170 mil torcedores. Hoje pelas regras da FIFA vai ficar em torno de apenas 78 mil pessoas. Muito dinheiro e muitas obras tem sido efetuadas com explicações nada convincentes, como as recentes declarações do governador Cabral "que uma obra dessa magnitude pode enfrentar obstáculos imprevisíveis ao longo de sua execução". Uma explicação que não justifica, e deixa dúvidas porque uma obra orçada em pouco mais de R$700 milhões vai ultrapassar um bilhão e cem milhões de reais e pode aumentar, porque segundo os Donos do Maraca os obstáculos são imprevisíveis. Talvez em função dos protestos que pedem a saída do governador, Cabral resolveu recuar da absurda demolição do Parque Aquático Júlio Delamare. Sua assessoria marcou almoço com o presidente da CBDA Coaracy Nunes para discutirem a questão. Coaracy acredita em um milagre do Papa e já pensa em melhorias para o Parque Aquático, e a construção de uma escolinha.
Muitas obras foram feitas e refeitas desde sua inauguração em uma sexta feira de junho de 1950~, mas a partir de uma final de campeonato brasileiro em 1992 em que devido ao excesso de publico a grade de proteção da arquibancada cedeu provocando a morte de quatro torcedores e ferindo mais de quarenta, obrigando a fechar o gigante durante meses, que começaram a cuidar de sua manutenção. Na época estava trabalhando no JB e registrei a imagem abaixo.

foto exclusiva da queda da grade da arquibancada julho de 1992

Em recente entrevista a Carol Knoploch do Globo o ex-jogador e craque da seleção o deputado federal Romário afirmou: "A população não tem ideia nem vai ter do custo dessa Copa " Para ele a conta de mais de R$ 1,2 bilhão é um assalto sem arma". Romário tinha razão,o assalto aos cofres públicos continua, o Parque Aquático vai receber mais R$1milhão para reformas, e o Estádio de Atletismo mais R$10 milhões para ser reaberto. Para o secretário de Esportes André Lazaroni foram "intervenções inesperadas". O povo pergunta: "Afinal, quantos milhões (ou bilhões) seriam necessários para que tudo voltasse a funcionar?".

obras do pac

obras do pac
inicio de obras ao lado do ciep ayrton senna