18 de ago de 2013

O CASO AMARILDO E A POLITICA DE SEGURANÇA DO ESTADO

MARIANO BELTRAME PEDE PRA SAIR E UPPS SÃO CONTESTADAS
ESTADO CONDENADO A PAGAR INDENIZAÇÃO À FAMÍLIA DE AMARILDO

O espirito da Inquisição tem permanecido violando a dignidade da pessoa humana, com o discurso de uma nova ordem. Nunca houve tanta condenação, a maioria por narcotráfico. São "peixes pequenos" , pessoas excluídas da sociedade"
Desembargador Sergio de Souza Verani.

O Secretário de Segurança do Estado do Rio de Janeiro José Mariano Beltrame, delegado federal pediu demissão após dez anos à frente da política de segurança tendo como carro chefe o Projeto de Pacificação através das UPPS. O Projeto começou a ser posto em dúvida após o Caso do pedreiro Amarildo morador da Rocinha em 2013 (época da postagem inicial).
 Se estivesse vivo o pedreiro Amarildo de Souza faria 46 anos no dia 02 de junho, mas policiais da Unidade de Pacificação da Rocinha não permitiram que continuasse em vida na sua favela. No dia 14 de julho de 2013 Amarildo, morador da Rua2 na Rocinha foi sequestrado, torturado por policiais da UPP que teriam vindo trazer a Paz para uma localidade com mais de 150 mil habitantes. Oito policiais militares foram condenados por tortura seguida de morte, ocultação de cadáver e fraude processual. O major Edson Santos comandante da UPP foi condenado a treze anos e sete meses.  Dois anos se passaram e quase nada mudou, muitas promessas do PAC-1, PAC-2 não saíram do papel. A paz ainda não veio e Amarildo continua desaparecido. Por decisão judicial o Estado foi condenado a pagar R$ 3,8 milhões à sua família. Para seus parentes a indenização não vai pagar a dor que sentem e ainda vão sentir para sempre.
Foto Alcyr Cavalcanti Protestos pressionaram governantes all rights reserved


A política de segurança implantada no governo Cabral pelo secretario Mariano Beltrame e seguida fielmente pelo atual governador L.F. Pezão está aos poucos sendo desmontada. Apesar da intensa repressão os índices de criminalidade tem aumentado, em especial o de assassinatos na cidade do Rio de Janeiro. Assaltos, chacinas e principalmente homicídios dolosos tem alcançado taxas alarmantes. A prometida pacificação ainda não veio, apesar da intensa propaganda feita pelos marqueteiros de plantão. As mais de trinta favelas onde as UPPs foram implantadas continuam esperando as melhorias prometidas. As outras 950 localidades continuam abandonadas colocando em xeque a propalada eficiência da segurança pública. Bandidos migraram para Niterói e São Gonçalo aterrorizando os moradores. Muitos meses se passaram que Amarildo desapareceu. Na Rocinha todo o mundo sabe como foi, e quais foram os autores do sumiço do morador da Rua2, mas oficialmente ninguém fala, ninguém viu. Quem tem paciência (e coragem) de andar pelas inúmeras vielas da favela, vai ouvir uma série de relatos impressionantes, alguns ligados diretamente ao caso que abalou a opinião pública, outros depoimentos que vem mostrar que a propalada pacificação ainda está longe de ser alcançada. Em novembro de 2011 a Rocinha foi invadida com grande aparato bélico, para depois ser instalada uma UPP na área denominada Portão Vermelho, no alto do morro. Centenas de policiais militares ocupam a favela fazendo o controle social, com a única finalidade de reprimir o narcotráfico e os diversos jogos que ocupavam boa parte da imensa localidade. No entanto, as prometidas mudanças foram esquecidas. A Rocinha ainda espera que o trombeteado PAC2 saia do papel e das paginas dos jornais.
A Operação "Paz Armada" em julho de 2013 foi mais uma invasão de poucos resultados práticos, uma espécie de "cerco cirúrgico" para afastar turistas de um local indesejável. Muitas prisões foram feitas causando danos irreversíveis a pessoas inocentes. Foi o caso do garçom Alex Ferreira preso arbitrariamente um dia antes do sumiço de Amarildo, que estava com extensa documentação comprovando ser trabalhador, mas que foi preso assim mesmo, tendo seus direitos fundamentais desrespeitados.

All rihgts reserved Photo Alcyr Cavalcanti

Até agora o que aconteceu foi uma troca de comando, muito mal sucedida, pelo menos até agora. Sai Antônio Bonfim o Nem, o "chefe do morro" agora em presidio de segurança, entra o major Edson Santos da UPP. Sai o major Edson entra a oficial PM Priscila. Pouco ou nada mudou, a violência é a tônica na "maior favela da América do Sul", o que podemos ver passeando pela favela é o medo generalizado e as conversas em voz baixa, quase sussurrando quando a "tiragem" está por perto. Testemunhas acusam policiais que ocupam a favela de todo o tipo de arbitrariedades, inclusive torturas e ameaças de morte e mesmo execuções. Em depoimento na Delegacia de Homicídios dois moradores acusam o major Edson de terem sido obrigados a mentir afirmando que Amarildo tinha sido executado por ordem do "chefe do tráfico local Thiago da Silva o Catatau. Em troca, a PM pagaria o aluguel de moradia em local distante, para preservar o casal. O major nega as acusações.
Em um passeio para reencontrar velhos amigos em local próximo ao Valão, no meio de um carteado, foi feito um pequeno relato da atitude extremamente agressiva de um PM da Unidade Pacificadora "Eles não respeitam nada, nem ninguém. Outro dia um bêbedo estava fora dos limites no Boiadeiro, o PM discutiu com o infeliz e deu um tapa na cara dele, e ameaçou tirar a pistola. Fiquei revoltado e disse pra ele não fazer isso de novo. O soldado me olhou com muita raiva, então eu disse pra ele que moro há mais de 50 anos na favela e não tenho nada a dever. O vento que venta lá, venta aqui também. O PM foi embora resmungando e dizendo um monte de palavrões". O relato foi feito por morador meu amigo de velhos e longos carnavais que já sofreu amaças de todos os lados, mas nunca se intimidou. O jogo de cartas continuou, em meio a goles de cerveja, bem geladinha.
E eles estão em quase todos os lados, o que não tem impedido o comercio de venda de drogas, a varejo, que continua segundo afirmação da autoridade policial na invasão de 12/07/2013 com quase uma centena de pontos de venda. Aos poucos fatos vão aparecendo, relatos vão sendo registrados no dossier volumoso e cheio de versões. O soldado Douglas Roberto Vital foi acusado por agressão e ameaças de morte contra moradores da comunidade. "Ele dizia a toda hora que ia me matar", disse o menor de 16 anos, primo de Amarildo, preso pelo PM Douglas que ainda foi "colocado no saco", ou seja um processo de tortura que consiste em asfixiar a pessoa colocando um saco plástico em sua cabeça para impedir a respiração. Algumas pessoas não resistem e morrem durante ao método. Para a policia é apenas uma das muitas "técnicas de investigação intensiva" , talvez intensa demais. Como se não bastasse colocaram a cabeça do menor em uma privada e deram descarga, uma tentativa de afogamento em fezes. São uma triste herança dos métodos usados pelos generais da "Batalha da Argélia", adaptadas ao solo pátrio durante anos sombrios. O preso politico Jarbas Marques, um sobrevivente a dezenas de torturas, pelos diversos órgãos da repressão, hoje anistiado, relatou à Comissão de Anistia que ficou surdo devido à diversas inflamações devido à técnica de afogamento na privada.

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Para o sociólogo Ignácio Cano da UERJ o modelo de segurança das UPPs já se esgotou. As torturas, assassinatos e desaparecimentos continuam nos dias de hoje, desafiando os Direitos Humanos e impedindo a construção de um Estado verdadeiramente democrático. Na Rocinha além da troca de comando, mais de 70 PMs foram remanejados, mais de 15 estão presos mas a violência continua ainda sem controle. Fica uma pergunta: "A UPP veio trazer a paz, e a melhoria de vida, ou foi apenas uma satisfação para uma parte da sociedade?".

7 de ago de 2013

GOVERNO CABRAL, FIM DE FESTA

DESDE 2013 CABRAL É ALVO DE DENÚNCIAS E PÉSSIMA ADMINISTRAÇÃO MAS CONSEGUIU ELEGER SEUS AFILHADOS
O governador Sérgio Cabral reeleito no primeiro turno com quase 70% de aprovação, enfrenta agora a maior rejeição popular de todos os governadores. A gota d'água foram os protestos de junho que devem continuar até a sua saída. O seu partido PMDB tem o maior número de prefeituras do estado, a maioria por causa da política do "toma lá, dá cá", o velho caciquismo que ainda prolifera na maior parte do Brasil. Com o apoio (ainda) da presidente Dilma, consegue sobreviver. Mas até quando, é a pergunta que fica no ar, seu prestígio que fica reduzido a meia dúzia de cabos eleitorais, parece ter chegado ao fundo do poço. A "dobradinha" Pezão/Beltrame parece ter sido enterrada para sempre, embora os marqueteiros de plantão à custa de nosso dinheiro estão traçando estratégias para a continuidade de Cabral através de seu preposto o vice-governador Luis Fernando Pezão.


O calvário do Cabral começou com os protestos contra o desperdício da enxurrada de dinheiro nas obras do Maracanã, inicialmente orçadas em R$700 milhões, o custo foi subindo, subindo, até chegar a mais de um bilhão e duzentos milhões de reais. Em declarações feitas às vésperas da Copa das Confederações Cabral ao ser perguntado sobre os custos das obras declarou em alto e bom tom: "Poderá aumentar devido a fatores imprevisíveis". E aumentou em mais R$60 milhões, devendo subir muito mais. Afinal não sai do bolso dele mas de nós contribuintes. Não contente com o orçamento faraônico tentou destruir a "Aldeia Maracanã", a Escola Friedereich,O Parque Aquático e o Estádio de Atletismo, isto às vésperas da Olimpíada deixando as equipes sem lugar para treinar.


A propalada pacificação das favelas, projeto que seria estendido a todo país, tem demonstrado que foi somente para o controle social das localidades próximas aos eventos programados. Foi estabelecido um "cinturão de segurança" para os convidados, mas o projeto tornou-se inviável, afinal o que fazer com as mais de 900 favelas? As UPPs estão atuando em torno de trinta. É a velha politica do "enxuga gelo", do cobertor curto. A bandidagem migra de uma favela para outra, da favela para o asfalto. Não é sem motivo que o comércio da venda de drogas a varejo chama-se movimento. E foi justamente em favelas ditas pacificadas, ou seja ocupadas pela PM, que tem havido casos de torturas, violações de direitos humanos, atingindo seu ápice no "Caso Amarildo" na Rocinha, que veio a ocorrer um dia depois de mais uma invasão policial, e às vésperas da visita do Papa Francisco para a Jornada Mundial da Juventude.


Apesar das "voz rouca das ruas" gritarem "Fora Cabral" o governador parece querer continuar no poder e pensa até em eleger sucessores para dar continuidade ao seu mandarinato. Cabral acredita que o fisiologismo prevaleça, e que a voz das ruas transforme-se em uma choradeira. Os apelos (e ameaças)aos caciques de Brasília estão cada vez mais intensos.O deputado Marcelo Freixo em entrevista ao Brasil de Fato afirmou: "Cabral perdeu moral para governar. Nem para ser sindico. Este governador é patético"


Os protestos em frente ao apartamento de Cabral no Leblon continuam, segundo organizadores, até sua saída, infernizando a vida de sua vizinhança. Os gritos de "Fora Cabral" soam como um mantra, acompanhados pelo som de "rock heavy metal" e oferendas para conseguir seus intentos. O inferno astral do "Cabralzinho" apenas começou. Os manifestantes já pensam em convidar Cabral a tomar um drink no inferno, à maneira do cineasta Roberto Rodriguez.

3 de ago de 2013

CASO AMARILDO, POLICIAIS DA UPP SÃO SUSPEITOS

atualizado em 12/08/2013

Moradores da Rocinha descem o morro para protestar
Após quase um mês os moradores continuam perguntando: "Onde está Amarildo?". As investigações continuam, passaram da 15a DP na Gávea chefiadas pelo delegado Orlando Zaccone para o delegado Rivaldo Barbosa da Divisão de Homicídios. As autoridades policiais não chegaram a nenhuma conclusão, com opiniões em conflito o que pode abrir uma crise de autoridade no inquérito. Enquanto o delegado Ruchester Marreiros acusa a família de Amarildo (o pedreiro inclusive) de ligações com o narcotráfico, o delegado Orlando Zaccone ficou revoltado com as declarações e postou em uma rede social: "Criminalizar Amarildo e sua família é uma tentativa desesperada de legitimar a violência e o desastre da guerra às drogas" e comparou a afirmação às infelizes e fantasiosas declarações da existência de armas químicas no Iraque, um mero pretexto para uma invasão armada e um extermínio seletivo. Uma gravação em vídeo de câmera situada na Rua2 mostra Amarildo sendo levado para a UPP por policiais militares. Foi a ultima imagem do pedreiro. As câmeras da Unidade Pacificadora estavam desligadas, ou com defeito. Os moradores estão revoltados com as acusações e fizeram ato no Dia dos Pais protestando com as declarações do delegado Ruchester. Para Elisabeth é tudo uma grande farsa para encobrir a verdade, e revoltada garantiu que não vai descansar enquanto o assassino não for preso e entregue à justiça.

Na quinta feira 01/08 os moradores bloquearam o acesso ao Túnel Zuzu Angel, a principal ligação da Zona Sul com Barra da Tijuca causando um enorme engarrafamento. As duas pistas da autoestrada Lagoa Barra foram tomadas por centenas de manifestantes que cobravam das autoridades uma resposta para o desaparecimento do morador da Rocinha.


Elisabeth Gomes mulher de Amarildo não acredita que Amarildo esteja vivo, e reclama da incapacidade da policia em dar uma solução para o sumiço do pedreiro. Ela vive sob forte tensão e teme ser executada como vingança, e pede a proteção de seus vizinhos da Rua Dois. Na quinta feira Elisabeth e vários moradores fizeram orações e acenderam velas em memoria ao seu marido. Junto com as orações os moradores gritavam :"O povo quer justiça, mas quem manda é a policia" e pediam a retirada da UPP, para eles a única culpada pelo desaparecimento.
Elisabeth Gomes esposa de Amarildo

O apelo dos moradores chegou até Brasília, a ministra Maria do Rosário da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da Republica afirmou que a policia é a principal suspeita do desaparecimento do pedreiro Amarildo, para ela "A situação de Amarildo não pode cair em uma amplitude tal, que tenhamos como resposta que muitas pessoas estão desparecidas após abordagem policial. A primeira suspeição que devemos ter é a de responsabilidade pública pelo desaparecimento dele" cobrando providências. As palavras não soaram bem aos ouvidos do secretário Mariano Beltrame que embora respeitando a opinião da ministra acha que qualquer afirmação seria leviana antes da conclusão das investigações, embora o desparecimento tenha ocorrido há quase três semanas e nada tenha sido esclarecido. O secretário esqueceu um detalhe, a PM tem atuado com extrema violência, principalmente nas favelas cariocas. Deisi de Carvalho não mora na Rocinha, mas veio se juntar às centenas de vítimas da violência policial. Ela teve seu filho André Luiz morto por agentes do DEGASE após ter sido espancado.



Os protestos se estendem a todo o Brasil, atingem a cúpula da policia, o coronel Erir Costa Filho é exonerado por Beltrame para acalmar a opinião pública, mas a pergunta que não quer calar fica sem resposta:
"Cabral/Beltrame, onde está Amarildo?"

obras do pac

obras do pac
inicio de obras ao lado do ciep ayrton senna