1 de dez de 2013

A TORTURA COMO MÉTODO DE INVESTIGAÇÃO


"Tortura, violência física para arrancar uma verdade que de qualquer maneira, para valer como prova tem que ser em seguida repetida diante dos juízes, a título de confissão espontânea"
Michel Foucault
PROTESTOS CONTRA TORTURA EM TODO PAÍS
ESTUDANTES MORADORES DA PROVIDÊNCIA DENUNCIAM VIOLÊNCIA POLICIAL
O Método de Interrogatório Intensivo é prática nas UPPs
"Deixa comigo, bota ele no pau de arara, que vai falar tudinho"
                                    Um delegado famoso pela linha dura.

Estudantes secundaristas fizeram relato na noite de segunda dia 27/06 em Ato organizado pelo Grupo Tortura Nunca Mais no auditório João Saldanha do Sindicato dos Jornalistas sobre atos de violência praticados por policiais militares, não só invadindo casas no Morro da Providência, mas também quando da Greve da Educação, que continua sem solução até os dias de hoje. Estamos vivendo tempos sombrios que deveriam estar definitivamente sepultados, a mais triste herança da tortura, com o nome sugestivo de método de interrogatório intensivo. Uma pratica eficiente que só interessa ao carrasco para transformá-la em verdade dos fatos. Empregada como rotina está definitivamente arraigada em parte do aparato repressivo fazendo lembrar um passado inquisitorial, onde o preso confessava o que cometeu e o que não cometeu. Choques elétricos, afogamentos em privadas, pau de arara, botar no saco (asfixia por saco plástico), o laboratório do suplicio tem múltiplas formas de extorquir a confissão a qualquer preço, fazendo valer uma falsa verdade. Em pleno século XXI estamos usando métodos medievais que foram revividos no período 1964-1984. As práticas insanas continuam desafiando a justiça. o número de denúncias aumentou em 129% desde 2011. O número pode ser muito maior, muitas vítimas não prestam queixa intimidadas pelos algozes que mudaram o alvo, da perseguição aos inimigos políticos passaram a caçar os despossuídos que não tem como se defender. A tortura foi oficializada pela repressão. O Ministério Público entrou com ação contra 31 policiais militares da Unidade Pacificadora da Rocinha acusados de torturar moradores, entre eles adolescentes e mulheres grávidas.

A policia brasileira colocava presos em celas pequenas em companhia de jacarés, cobras e outros animais para obter o relato que interessava ao torturador Um delegado "linha de frente" colocava o preso dependurado pelos pés e ameaçava soltar, para uma queda de quatro andares, talvez influenciado pelo magnifico filme The Killers de Don Siegel (1964) com Lee Marvin como o matador de aluguel. O delegado era um dos homens de ouro criado pelo general França para acabar com a criminalidade.
O Ato-5 de dezembro de 1968 acelerou os poderes discricionários durante os "anos de chumbo" com a alegação do combate a uma guerra revolucionaria. Triste herança,agora para o Estado o inimigo é outro, enquistado nos morros e favelas, mas os métodos são os mesmos, centros de tortura continuam em funcionamento fazendo reviver a "casa da morte" de Petrópolis onde de quase uma centena de prisioneiros somente uma, a jornalista Inês Etienne Romeu sobreviveu, mas com sequelas graves.

Por ter se estendido por mais de 21 anos a ditadura deixou raízes profundas na vida nacional e interrompeu a livre criação de mais de uma geração. As organizações de defesa de direitos humanos estimam em mais de 100mil pessoas perseguidas pelo regime de exceção. Herança maldita, atualmente nossa policia, principalmente a PM tem usado a tortura como prática quase diária tendo como alvo os despossuídos, elegendo como inimigo interno a venda de drogas, a varejo, em uma "guerra santa" contra as favelas cariocas, onde os moradores saem derrotados. O numero de vitimas por balas perdidas ou por auto de resistência é infinitamente maior, o que vem colocar em xeque a politica de pacificação.
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inicio de obras ao lado do ciep ayrton senna