15 de jun de 2015

A GUERRA CONTRA AS DROGAS E A GLOBALIZAÇÃO DO CRIME

A GLOBALIZAÇÃO DO NARCOTRÁFICO E A POLÍTICA DE SEGURANÇA
EX PRESIDENTE DO URUGUAI FALA SOBRE DESCRIMINALIZAÇÃO
O NARCOTRÁFICO É PIOR DO QUE A DROGA
foto Alcyr Cavalcanti all rights reserved

O ex-presidente José Mujica do Uruguai esteve no Rio de Janeiro para debate sobre a descriminalização da maconha. Esteve pela manhã na Associação Brasileira de Imprensa, e à noite foi recebido com muita festa por estudantes na UERJ. Para Mujica o que acontece em seu país é uma experiência, que só com o tempo  os resultados serão avaliados, mas de qualquer forma "o narcotráfico é bem pior do que a droga, mata muito mais", afirmou. O comércio de venda de drogas é um fenômeno mundial, e não afeta somente o Brasil, mas a todos os países do mundo. Podemos falar em uma indústria das drogas que gera um enorme capital de milhões de dólares, o dobro da renda da indústria farmacêutica e bem maior que a assistência oficial para o desenvolvimento humano. Mais de dois milhões de pessoas estão empregadas diretamente na produção e na venda das drogas e muitos países tem sua economia dependente desse tipo de comercio, Em contrapartida são gastos milhões de dólares para eliminar em definitivo as "mercadorias do prazer" com poucos resultados.  O combate ao narcotráfico foi intensificado a partir de 1981, no governo Reagan que declarou a "Guerra Contra as Drogas", sendo que os Estados Unidos é o maior consumidor de todo o tipo de drogas em todo o planeta. A política de 'guerra", de proibição não tem obtido os resultados esperados, o consumo tem aumentado apesar da forte repressão. A América Latina tem se destacado como grande produtor e fornecedor para os países desenvolvidos, devemos considerar que a folha de coca, produto base para a produção de cocaína é um produto nativo do altiplano dos Andes. Os trabalhadores que atuam nas regiões de plantio, são organizados em sindicatos, os cocaleros e atuam perfeitamente inseridos na economia capitalista. A cocaína é consumida em quase todos os setores da sociedade. Originalmente era a droga dos ricos, um modismo consumido somente em grandes  salões. A plebe usava maconha, planta nativa do Nordeste. A partir de meados dos anos 1980 passa a haver uma entrada maciça da cocaína, primeiramente no Rio de Janeiro e depois em todo o Brasil. A cocaína um derivado da folha de coca, planta nativa do altiplano dos Andes, Peru, Colômbia e Bolívia, usada de forma ritual e curativa entre os nativos da região contra o soroche o mal das alturas. A derivação coca vem de kuka palavra da língua indígena kéchua . No Brasil é conhecida como "branco", "papel", "diabo ralado" "papelote", "brizola" . O Brasil além de grande consumidor é também um corredor de passagem para os Estados Unidos e Europa. Um quilo de do produto pode ser transformado em cinco ou mesmo dez quilos conforme seu grau de pureza. É um estimulante/excitante do sistema nervoso central de relativamente curta duração, necessita de doses contínuas para manter o estado de excitação, o "barato". A Colômbia pode ser vista como um laboratório onde as políticas públicas são implementadas, como no "Plano Colômbia" documento assinado por Bill Clinton e Andrés Pastrana onde os Estados Unidos despejaram milhões de dólares e armamentos para uma tentativa de erradicação definitiva das drogas. No entanto esses objetivos não foram alcançados e os Estados Unidos passaram a influenciar cada vez mais a política interna do país.
DESTRUIR O INIMIGO É A LEI

Em todo o país, em especial no Rio de Janeiro o que predomina é uma politica de demonização, de combate visando a eliminação sumária. Campanhas educativas tem sido poucas, devido à criminalização das drogas, fonte de todos os males. Tanto o usuário  chamado de viciado quanto os vendedores a varejo, os narcotraficantes são tratados como inimigos que devem ser destruídos a qualquer preço. A política do confronto , a matança dos chefes do tráfico tem sido a tônica. Da mesma forma que a Rainha de Alice no País da Maravilhas onde a sentença vem sempre antes das provas e do julgamento, "cortar as cabeças" é a regra. O narcotráfico  que seria a fonte de todos os males ficaria desmantelado quando as cabeças da fera fossem cortadas uma a uma. De fato uma a uma a cabeça dos chefes de morro foram tombadas uma a uma ao longo dos anos, mesmo assim o comércio de venda de drogas, a varejo, continua firme e sólido. A invasão e a tomada de território das principais favelas cariocas pela unidades pacificadoras, as UPP não surtiram o resultado esperado. Houve a migração dos traficantes de uma favela para outra e também para outros municípios, como Niterói e São Gonçalo que tem sido alvo de tiroteios constantes.  Em recente incursão policial na favela da Rocinha, um policial admitiu que na favela existiam pelo menos setenta pontos de venda de drogas, apesar da ocupação policial.
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