8 de ago de 2015

ROCINHA, UMA FAVELA DIFERENTE

PRIMEIRO COMANDO-PCC ESTABELECE SUAS BASES NA ROCINHA
NA "MAIOR FAVELA DA AMÉRICA DO SUL" A PACIFICAÇÃO NÃO VEIO  
GOVERNANTES PROMETEM TUDO, MAS MORADORES ESPERAM OBRAS QUE NUNCA SAIRAM DO PAPEL
photo Alcyr Cavalcanti all rights reserved
A Favela da Rocinha (ou bairro) é uma favela diferente, não só pela sua localização em uma das zonas mais valorizadas da cidade, pela sua enorme população, mas também pela proximidade de uma das mais belas praias do Rio, a Praia de São Conrado. O Primeiro Comando da Capital-PCC fez uma aliança cooperativa com o grupo que controla o comércio de venda de drogas na favela, o ADA. A aliança vai desequilibrar a relação de forças entre as redes criminais no Rio de Janeiro, visto que o PCC rompeu uma longa sociedade com o Comando Vermelho. Novas invasões devem acontecer causando muitas mortes.
A Rocinha foi ocupada por uma Unidade Pacificadora-UPP que teria vindo para trazer a paz, mas as promessas não foram cumpridas, ao contrário os moradores não se sentem em segurança, não confiam nos policiais militares. A Rocinha já foi chamada de "mina de ouro" por um delegado de policia, devido ao intenso comércio de venda de drogas. Volta e meia é ameaçada por invasões de grupos contrários. O controle é feito de dentro da cadeia por Antônio Bonfim o Nem que tem Rogério 157 como um fiel, homem de confiança.  Há meses  atrás a morte de Celso Pimenta, o Play Boy, também conhecido como Menino Maluquinho após cerco policial no Morro da Pedreira em Costa Barros deixou a Rocinha de luto. O traficante era cria da Rocinha e ficou um tempo abrigado na favela com o bando de Pedro Dom. A Rocinha faz parte da rede criminal Amigos dos Amigos-ADA e empresta seus soldados para um "fortalecimento" da facção, principalmente para expandir seus territórios. Nem foi julgado e atualmente cumpre prisão em uma unidade prisional em Mato Gross. Jornais diários publicaram uma conversa entre o atual "dono do morro" e policiais que estariam na caixinha, ou seja em um reforço de salário para dar uma ajudinha ao narcotráfico, que estaria sendo prejudicado pela repressão aos pontos de venda de drogas. Na conversa haveria uma ordem de Rogério para eliminar a comandante da UPP major Priscilla. O que causa estranheza é que a conversa foi há dois anos atrás e só agora tenha vindo a público.  A UPP implantada na Rocinha depois da invasão e ocupação pelas Forças Armadas em 2011 não conseguiu a prometida pacificação. Com a finalidade de construir um cinturão de proteção devido à sua localização, para evitar distúrbios que possam impedir a ligação com a Barra da Tijuca um dos locais mais importantes da Rio 2016, a UPP começou a mostrar depois do "Caso Amarildo" sua verdadeira face, baseada na repressão e na tortura como método de investigação. A partir daí a Policia Militar perdeu o respeito dos moradores, e o narcotráfico voltou a atuar em toda a favela como reconhecem as autoridades estaduais. A "maior favela da América do Sul" como é cantada em prosa e verso pelos seus moradores, não para de crescer apesar da serie de proibições e regulamentações impostas pelas autoridades. Situada entre a Gávea e São Conrado, dois bairros com alto poder aquisitivo tem seus limites geográficos pouco definidos, de um lado a Escola Americana e de outro lado a entrada do Túnel Zu Zu Angel e  São Conrado, limites muito tênues, devidos à explosão demográfica. A união da Rocinha com a Favela do Vidigal, pela parte alta, e com o Parque da Cidade na parte baixa tem levado as autoridades a falar em um "Complexo da Rocinha" embora ela seja considerada como bairro com uma região administrativa. Com uma imensa população com números que oscilam entre 80 mil habitantes e 200 mil habitantes conforme o ponto de vista e o interesse do pesquisador, essa população fica distribuída em seus 18 sub bairros com características diversificadas com áreas perfeitamente integradas com rede bancária, comércio intenso, academias de ginástica, salões de beleza, e áreas de extrema pobreza, falta de saneamento com valas negras, sem nenhuma urbanização e difícil acesso que vai tornar a coleta de lixo bastante precária.
Largo do Boiadeiro photo Alcyr Cavalcanti all rights reserved
Essa imensa localidade tem somente uma via de acesso, a Estrada da Gávea que corta toda a região desde São Conrado até a Gávea. O acesso pode ser feito pelas Rua Um e Rua Dois através de seus inúmeros becos e vielas, que vão desembocar no Largo do Boiadeiro e na Rua do Canal popularmente conhecida como Valão, um canal infecto onde são despejados detritos de toda espécie.
O comércio é muito intenso em todos os seus dezoito sub bairros, em toda a localidade existem mais de dois mil bares e biroscas onde as bebidas alcoólicas são vendidas intensamente. Só no Largo do Boiadeiro existem doze bares, uma churrascaria em obras, que dizem já foi de Denyr Leandro o Denys durante mais de uma década, e uma mercearia que vende produtos do Nordeste. Aos domingos no Largo, uma feira que vende principalmente produtos típicos do Ceará e da Paraíba vai tornar-se também um ponto de encontros entre os moradores, ao som de repentistas que cantam os versos do "Cego Aderaldo". Desde 2006 foram feitas promessas para urbanização da localidade, algumas foram feitas, a maioria não saiu do papel, como a urbanização do Largo do Boiadeiro, a construção de um mercado modelo e de um teleférico para ligar a parte baixa à parte alta do morro.
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obras do pac

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inicio de obras ao lado do ciep ayrton senna