28 de nov de 2010

Rocinha teme invasão policial

As invasões e ocupações continuam, ano após ano
Atualizado em 05/02/2014
A prometida paz e harmonia após a implantação de mais uma UPP na Rocinha parece não ter surtido o efeito desejado. Apesar da ocupação policial e dos discursos feitos quase mensalmente a Rocinha vive dias de incerteza. A população vive acuada com o despreparo de policiais que não tem conseguido estabelecer relações de vizinhança, baseadas na confiança com os moradores,que revoltados tem protestado desde julho de 2013 carregando cartazes acusando policiais da Unidade Pacificadora-UPP por terem dado sumiço ao pedreiro Amarildo de Souza Lima. Ele foi visto pela ultima vez domingo dia 14/07 depois de prestar depoimento na UPP. Amarildo saia para pescar, seu lazer preferido sempre que tinha uma folga. Ao voltar foi preso pelos PMs, teria sido confundido com traficantes, e em vez de ser levado para a delegacia foi conduzido para a Unidade Pacificadora. Sua esposa Elisabeth Gomes mãe de seis filhos diz ter sido ameaçada com frequência pelos policiais da UPP, sempre com a alegação de colaboração com o narcotráfico, que misteriosamente ainda continua pujante, embora sem o brilho da "Era Bemtevi" onde era o maior ponto de venda de drogas do Rio de Janeiro. Elisabeth não sabe mais como fazer para explicar aos seus filhos a ausência do pai, eles vivem chorando pelos cantos e não querem mais sair de casa com medo de uma vingança. Ela pensa em deixar a favela temendo ser executada. Na sexta dia 19/07 o desaparecimento de Amarildo foi apresentado em audiência pública na OAB às autoridades presentes, inclusive ao representante da PM coronel Robson que prometeu que fará todo o possível para dar solução ao caso, que está sendo conduzido na 15aDP na Gávea pelo delegado Orlando Zaccone. Policiais da 15a DP fizeram buscas na parte alta da Dionéia, tinham recebido informações de que seu corpo estaria lá. Nada encontraram.


No final de semana (13/07/2013) uma operação de guerra chamada "Operação Paz Armada" contou com 300 policiais que cercaram a favela para cumprir 60 mandados de prisão, e evitar um banho de sangue entre grupos rivais que disputam a venda dos mais de 100 pontos de venda de drogas na Rocinha. De dentro da prisão o traficante Antônio Bonfim o Nem estaria monitorando tudo, e não está nada satisfeito com a disputa entre seus comandados.

"O espírito da Inquisição tem permanecido violando a dignidade da pessoa humana, com o discurso de uma nova ordem" Desembargador Sergiode Souza Verani (2008) Os moradores da "maior favela da América do Sul" estão apreensivos quanto a uma possível invasão por parte das forças policiais.O delegado Alan Turnowski, chefe da policia civil disse em recente entrevista que a Rocinha está sendo monitorada. "Nós sabemos por onde devemos entrar e a melhor ocasião. Sabemos também quantos homens e quantos fuzís circulam pela favela. "Invadiremos na hora exata", afirmou. Invasões e mais invasões se sucedem sem alcançar seu objetivo:acabar com o comércio de venda de drogas, a varejo, que segundo essa ótica poderia acabar em definitivo com a violência na cidade do Rio de Janeiro.Invasões se sucedem há vários anos, podemos citar para nossa lembrança, a "Operação Rio"em 1992, e reeditada em 1994, onde vários morros foram invadidos (inclusive Rocinha e Alemão), em contrapartida o narcotráfico aumentou consideravelmente suas vendas. Em 2005 e 2007 o Conjunto de Favelas do Alemão considerado segundo os parâmetros da ESG uma "Zona Vermelha" foi invadido por centenas de homens a serviço do Estado, houve a simbólica posse de território onde bandeiras foram hasteadas, a serviço da "Nova Ordem". Dezenas de civis foram mortos, escolas ficaram fechadas, residências foram invadidas, e segundo denúncias de seus moradores houve pilhagem. Casas foram arrombadas e saqueadas, mulheres foram violentadas, denúncias foram feitas às diversas Comissões de Direitos Humanos e nada aconteceu. Será que veremos o mesmo filme outra vez? O "chefe do tráfico" Antonio Rodrigues o Nem teria feito um acordo com seu arquiinimigo Fabiano Atanásio o FB seria uma aliança cooperativa ADA-CV para enfrentar a aliança PM, Civil, Força de Segurança, Forças Armsdas.Há alguns meses atrás essa aliança seria impensável, mas depois da invasão de vários morros sob o domínio do CV, como Providência, Salgueiro e outros houve a necessidade de uma união, ao menos provisória, enquanto o aparato repressivo continuar invadindo. Depois é cada um por si, ou como dizia o último "bandido formado " da Rocinha:"eles lá e nós aqui". Na opinião de um morador da Rua2 próximo à microárea Valão "Vai rolar muito sangue, de parte a parte. A Rocinha vai resistir".

17 de out de 2010

Troque uma arma por um pincel


IN MEMORIAN

O ATELIER DO TIO LINO.
Para mim a verdadeira faculdade da vida é a rua
                                                                 Tio Lino.
A Rocinha parece um vulcão adormecido, mas que pode explodir a qualquer momento
                                                                 Tio Lino
O slogan "troque uma arma por um pincel" foi a chamada usada por Lino Santos Filho, o Tio Lino em sua catequese em busca da conversão pela arte. Lino tinha pouco mais de  60 anos e foi vencido pela  diabetes que maltratou suas pernas e seu coração mas não o impediram de continuar sua caminhada. Todo o dia faça chuva ou faça sol, com tiroteios ou na santa paz ele abria seu pequeno centro de artes no final de uma das áreas mais estigmatizadas da Rocinha, o Valão, as crianças esperam ainda com ansiedade para a chegada do "Tio".
Para o torcedor do Fluminense, nascido e criado na favela, pai de quatro filhos e quatro netos o horário/chave é depois das 18h, quando alguns vultos saem das trevas e começam a atacar. É a hora em que "o bicho vai pegar". Seu atelier está sempre cheio. Estudantes dos mais variados cursos, desde a longínqua Baixada Fluminense até meninas da PUC, vem até a roça para conhecer o seu trabalho. O atelier é também visitado por muitas ONGs, de várias procedências, movidas a euros ou dólares. Eles admiram seu trabalho, mas retribuem apenas com um tapinha nas costas. Ele não se cansa, e acredita que um dia seu trabalho vai ser valorizado. Enquanto isso pacientemente espera doações. Ele se recorda com uma ponta de tristeza de seu tempo de salva vidas em São Conrado. "Já salvei muitas vidas, mas quando da passagem do Salvamar para a Secretaria de Segurança, caí fora. Não dá pra ser policia na favela". Talvez por influência do mar ele sonhe escrever um livro contando seus casos, seus amores, suas histórias. O nome : Um sonho de pescador.

27 de set de 2010

A Herança de Claudinho

"Claudinho é mais forte morto do que vivo" (Léo da UPMMR).
Post editado em 2010

A Rocinha é um grande reduto eleitoral. Na imensa favela com população estimada entre130 mil e 150 mil habitantes, o número de eleitores é relativamente pequeno. Não passa de 35 mil. Mas a disputa pelos votos atrai candidatos. Na eleição municipal de 2008 Luis Claudio de Oliveira o Claudinho da R1 elegeu-se vereador pelo PSDC com 11.513 votos, sendo 8.235 na Rocinha. Claudinho era presidente da maior das três associações de moradores e também de maior visibilidade, a União Pró Melhoramentos de Moradores da Rocinha (UPMMR)sucedendo a William de Oliveira o William DJ, que teve mandato tumultuado. William sofreu diversas acusações, respondendo processo e foi obrigado a se afastar do cargo. Em seu lugar ficou Lino Santos Filho, o Tio Lino que dirige um centro de artes no final do Valão. Claudinho concorreu contra quatro candidatos para a associação de moradores, e teve como sucessor na UPMMR, Antonio Xaolin que ficou pouco tempo na presidencia da associação.
Valdemar e Claudinho foto Alcyr Cavalcanti all rights reserved
Xaolin foi indicado para deputado federal pelo seu partido, PCdoB. Para isso terá de conseguir pelo menos 40 mil votos, tarefa um pouco difícil. Claudinho morreu em 19 de junho deste ano, sendo diagnosticado ataque cardíaco. Havia acusações contra ele de densas ligações com o narcotráfico. Nada ficou provado. A maioria da população lamenta a morte de seu representante na Cãmara de Vereadores e seu espólio eleitoral está sendo disputado voto a voto. Segundo opinião de vários moradores a eleição vai ser pulverizada para deputado estadual, sendo que André Lazzaroni do PMDB é quem deve herdar a maior parte dos eleitores de Claudinho. André está coligado a candidatos de várias tendencias, produzindo um grande arco de alianças, desde políticos considerados progressistas como Marcelo Sereno do PT até candidatos de tendencias moderadas como Pedro Jorge. Em recentes declarações o candidato declarou que "jamais farei ligações com o poder paralelo" promessas que dificilmente serão cumpridas. O poder do narcotráfico é muito forte, o "olho que tudo vê" controla tudo na imensa favela, e os passos, as promessas e os compromissos dos candidatos vão ser cobrados, com juros e correção monetária. Na Via Ápia, na entrada da Rocinha um carro de som repetia sempre o mesmo refrão: "Vote em André Lazzaroni, ele é apoiado pela nossa Rainha, a mãe Dilma que vai rogar por nós". Na Rocinha a eleição é familiar.De mãe pra filho.

16 de set de 2010

Princesa da Dinamarca Visitou a Rocinha

A princesa da Dinamarca Marie Elisabeth em setembro de 2010 visitou o Centro Municipal Rinaldo Delamare na rua Berta Lutz onde também funciona o Posto de Saúde Albert Sabin. Marie Elisabeth ficou admirada com a enorme favela e com alegria das crianças da Rocinha. Ela teve encontro com representantes da Secretaria de Saúde e fez doações prometendo estreitar a colaboração de seu governo para melhoria das condições sanitárias da favela. A Rocinha têm um dos maiores índices de tuberculose do estado,doença que têm se manifestado de modo alarmante, principalmente devido às péssimas condições sanitárias da localidade, provocando altos indices de mortalidade devido à propagação da doença, apesar dos esforços da sua diretora "Helena do Posto" que conhece como ningúem os meandros da enorme favela.

8 de set de 2010

Largo do Boiadeiro um bom programa aos domingos

 VIOLÊNCIA MATA TURISTA ESPANHOLA POR DISPARO DE POLICIAL MILITAR EM UM PONTO DE ENCONTROS NA ROCINHA NAS MANHÃS DE DOMINGO
OBRAS PROMETIDAS PELO PAC-1 NÃO FORAM FEITAS
AGORA COM O GOVERNO TEMER OBRAS NUNCA MAIS, O LARGO VIROU PONTO DE MOTO-TAXI 

fotos Alcyr Cavalcanti all rights reserved
Um dos melhores pontos turísticos da Rocinha foi atingido pela onda de violência que já dura mais de um mês na favela. A turista espanhola Esperanza Ruiz foi atingida por disparo feito por policial militar que atingiu veículo em que estava a turista. O clima estava tenso na área devido a um confronto entre PMs e Traficantes na parte alta. Pode ter havido precipitação no disparo que resultou na morte da turista. Aos domingos a Feira  no Boiadeiro é um ponto de encontro para encontrar produtos típicos do Nordeste e um bom passeio nas manhãs de domingo. Comerciantes que trabalham no Largo do Boiadeiro esperam as prometidas obras que iriam transformá-lo. As obras prometidas em sucessivas campanhas eleitorais não saíram do papel. Agora com o impedimento de Dilma Roussef e o governo Temer é que nunca mais serão feitas, devido ao corte de verbas nas obras do PAC.  O Largo em vez da urbanização ganhou um ponto de moto-taxi. O Largo do Boiadeiro também é o ponto comercial da Rocinha, onde muitos negócios são feitos acompanhados de uma dose de Marimbondo, a cachaça que segundo Pedrinho um cearense filho de Ipú que já foi dono do 03, é a bebida que morde o fígado e clareia as ideias. É também uma passagem obrigatória para quem deseja se dirigir para o alto da favela sem usar veículo de locomoção caminhando a pé através de suas estreitas vielas. No Largo existem mais de uma dezena de pequenos bares, uma churrascaria, que dizem que já foi do Denys, o "chefe do morro" durante mais de uma década, um armazem com produtos do Nordeste, barracas que vendem desde animais abatidos a "ervas de santo" para curar males do corpo, mas principalmente os males da alma. Existe também uma igreja católica e um prédio de três andares. Aos domingos no Largo é montada uma grande feira com produtos nordestinos, a segunda maior do Rio, que rivaliza com a Feira de São Cristóvão. A feira aos domingos é também um grande ponto de encontro das pessoas que moram nos 17 sub-bairros da favela com amigos e parentes que migraram para outras localidades, animados pelo som de violeiros e repentistas, discípulos do Cego Aderaldo, o maior de todos. Mas nem todos gostaram das mudanças ocorridas na feira. Moradores mais antigos entre eles Antonio Trajano,velho patriarca que foi lider comunitário durante vários anos reclamam da pretensa modernização da feira, da perda de suas verdadeiras raízes, da transformação da venda somente de produtos nordestinos em uma "feira livre" desde quando a feira, como aliás muitas coisas no morro passou a ser controlada pelos meninos do movimento. Os feirantes passaram a pagar um pequeno imposto ao "dono do morro" para poder funcionar conforme as leis da localidade. É o velho lema: "Manda Quem Pode, Obedece Quem Tem Juízo".

foto Alcyr Cavalcanti all rights reserved

Os moradores da Rocinha estão desiludidos e já perderam a paciência com as prometidas obras de urbanização, que iriam transformar o Largo em uma bela praça. conforme promessas feitas pelo governo federal no Programa de Aceleração do Crescimento-PAC há nove anos atrás, mas até agora nada foi feito.

24 de ago de 2010

Tiroteio em São Conrado

"Fiquei no meio do fogo cruzado, achei que ia morrer. Só pensava em meus filhos, em meu trabalho em todos os sacrifícios de uma vida de luta. Pensei pra que tudo isso, se a gente pode morrer em apenas um segundo?" disse Marly 51 anos, moradora da Barra da Tijuca que passava em direção ao Leblon na hora do tiroteio. Ela abandonou seu carro e ficou horas escondidas em uma garagem de um prédio na Praia de São Conrado. Sábado 21 de agosto de 2010,8,20h de bela manhã de sol, daquelas que só "a cidade maravilhosa pode proporcionar. Rapidamente a filial do paraíso se transformou em sucursal do inferno. O "bonde do Nem" vinha fazendo um retorno tranquilo de um animado baile funk no Vidigal, favela vizinha agora sob os domínios da rede criminal ADA (Amigos dos Amigos)desde a mudança de lado em 2003 feita por Luciano Barbosa da Silva "o Lulu", pessoa querida no conceito da imensa população da Rocinha, "um bandido formado", ou seja aquele que respeita as leis e costumes de sua comunidade. Desde a morte de Erismar Moreira o "Bem-te-vi" executado na fatídica madrugada de 29/10/2005 que a Rocinha vive em um permanente estado de guerra, temendo uma invasão seja por parte dos "alemão", seja por parte dos "homens da lei" em tempos de UPPs. Quem manda agora (e manda mesmo) é Antonio Francisco Bonfim Lopes o Nem que anda sempre com o mínimo de quarenta homens na contenção. Em um de seus passeios o "bonde da roça" deu de cara com os "verme" ou seja soldados da PM como são conhecidos no meio da bandidagem, em uma ronda da madrugada. E deu no que deu.Durante a refrega uma parte do "bonde" partiu pro enfrentamento, uma parte invadiu o Hotel Intercontinental e a outra parte escapuliu com Nem e "seus fiéis" para a parte alta doo morro.Ele havia sido ferido durante o tiroteio. Nem controla a imensa favela com "mão de ferro" graças a uma enorme e eficiente rede de olheiros e colaboradores que administram o chamado "Complexo da Rocinha" ou seja Rocinha, Vidigal, Parque da Cidade e uma grande "estica" na Cruzada São Sebastião, no Leblon, zona nobre da cidade. Nem também faz uma "aliança cooperativa" com os narcotraficantes do Morro de São Carlos, atualmente sob o domínio da ADA. As favelas do São Carlos são administradas à distância por ele, que colocou dois homens de confiança para controlar a venda no morro. Embora faturando milhões de reais por mês Nem tentou sair do tráfico, forjando a própria morte, procedimento adotado por outros "chefes de tráfico" como Paulo César " Linho" da Maré e Lobão que chefiou as vendas na Rocinha, nos anos noventa que simulou a própria morte e desapareceu,cansado de ser extorquido por policiais.Ele vive atormentado por máus presságios.que lhe perturbam o sono.Tem tido pesadelos em que está sendo cortado em pedacinhos e colocado no "microondas". Na eleição de 2008 o candidato apoiado por Nem,e grande parte dos eleitores da Rocinha e Vidigal, o "Claudinho da R1" foi eleito com expressiva votação. Mas seu mandato durou pouco, Claudinho morreu em meados de 2010.

22 de ago de 2010

quatrocentos contra um

"Na prisão,falange quer dizer um grupo de presos organizados em torno de um interesse comum.Daí o apelido de 'falange da LSN', logo transformado pela imprensa em 'Comando Vermelho'(William da Silva Lima)".
CRISE NO SISTEMA PRISIONAL: NASCE A FALANGE VERMELHA
Fotos de Alcyr Cavalcanti all rights reserved
reproduções proibidas




Filme sobre o CV exibido para 150 na carceragem da Polinter "Quatrocentos contra um" é o filme de Caco de Sousa com roteiro do escritor Julio Ludemir que narra a formação do Comando Vermelho no final dos anos setenta, centrado na pessoa de um de seus fundadores, William da Silva Lima, o Professor. O título é tirado do livro de William de mesmo nome publicado em 1991 pela editora Vozes baseado num cerco policial em abril de 1981 ao Conjunto dos Bancários na rua Altinópolis na Ilha do Governador transformado em uma praça de guerra. No conjunto resistiu até a morte durante 12 horas apesar do imenso aparato policial José Jorge Saldanha o Zé Bigode, foragido da Ilha Grande que se tornou um símbolo para a bandidagem carioca.Saldanha tinha escapado da Ilha em um "bonde" no dia 21 de agosto de 1980, para escapar de uma condenação que o manteria entre as grades até 2030. Zé Bigode mantinha seu núcleo operacional no Morro do Adeus, em Bonsucesso. Ele e seus comparsas praticaram uma série de assaltos a banco, para angariar fundos para os companheiros da mesma rede criminal.É a "caixinha do CV", dízimo pago religiosamente para ser distribuído entre os membros da "irmandade". O grupo original da Falange Vermelha, nome original, veio como uma forma de resistência às péssimas condições carcerárias na Colonia Penal da Ilha Grande conhecida como "Caldeirão do Diabo". Na época, o grupo dominante era conhecido como "Falange do Jacaré" que extorquia os presos que não faziam parte de seu grupo, explorando os mais fracos.Os presos da LSN influenciados por leitura marxista devido à convivência com presos políticos,que lutavam contra a ditadura militar, aprenderam formas de organização, como única maneira de sobreviver em um sistema altamente corrupto e corroído pela base.Os assaltantes de banco que embora não fizessem parte de nenhuma organização revolucionária foram também incursos na Lei de Segurança Nacional passando a cumprir pena na Ilha Grande, considerada de segurança máxima. A saga de William e seus companheiros foi mostrada dia 19/08/2010 a 150 detentos na Polinter de Neves.O delegado Orlando Zaccone é o responsável pela carceragem, que concentra presos à espera de julgamento. A Polinter de Neves em São Gonçalo tem atualmente 542 detentos, dos quais 234 são da rede organizacional Comando Vermelho formada na Ilha Grande. O CV ainda é a maior rede criminal do Brasil, com ramificações em varios estados, principalmente em São Paulo onde mantém uma rede associativa com o PCC, Primeiro Comando da Capital. Do grupo inicial só restam William, considerado foragido da justiça, após cumprir mais de 30 anos de prisão e Paulo Cesar Chaves o PC personagem do livro de Ludemir "O Bandido da Chacrete",atualmente em liberdade após ter conhecido inúmeras prisões do Rio de Janeiro e morando em condições precárias no Morro da Providência.
Carlos Pimenta também conhecido na bandidagem como Neném Magriço um dos fundadores da rede criminal, afirma em seu livro "Ilha Grande Sucursal do Inferno" que o grupo inicial formado por oitenta e quatro detentos reunidos no Clube Cultural Recreativo dos Internos-CCRI fundou a sigla "Justiça, Paz e Liberdade, Comando Vermelho".

paulo cesar chaves o"pc" fundador do cv foto de alcyr cavalcanti


Festa da falange vermelha no presídio.Gregório gordo ao centro é aclamado

"Por esse Brasil afora, milhares de foragidos e presos formam um exército de marginalizados, condenados à violência e humilhação que atingem também familias e gerações sucessivas. Estigma:filhos marginais, mulheres sem perspectiva. A violência é filha do desamor, e todos acabam assumindo os papéis que lhes são destinados. Eu chamo a sociedade a assumir suas responsabilidades, criando condições para que essas pessoas-milhares, talvez milhões- conquistem seu direito à vida. Que ainda me é negado ".
William da Silva Lima,o professor.

Para o delegado Zaccone as condições do sistema prisional pouco mudaram nessas últimas décadas, punindo especialmente os despossuídos. "É uma justiça seletiva" afirmou.

9 de abr de 2010

O Mito da Marginalidade Permanece

atualizado em 10/08/2013

"A favela é uma exigência da estrutura social brasileira. Ela exige relações de dependência econômica que resultam na miséria permanente ou temporária que por sua vez dá origem a esse tipo de organização social, num conhecido círculo vicioso". José Artur Rios. O "Mito da Marginalidade" é uma obra da antropóloga norte-americana Janice Perlman que nos anos setenta fez uma análise aprofundada dos mitos sobre os moradores das localidades urbanas conhecidas como favelas. Os mitos permanecem ainda hoje, mais vivos do que nunca, embora empiricamente falsos, que servem somente para afastar cada vez mais os moradores de uma mesma cidade. O governador Sérgio Cabral em pronunciamento feito em 25 de outubro de 2007 preocupado com os altos índices de criminalidade, aconselhou o radical controle de natalidade tomando como exemplo a Rocinha, para ele "uma fábrica de marginais". Ele baseou suas críticas nas teorias de Stefen Lewitt e Stephen Hubner que pretenderam mostrar que a redução da violência nos Estados Unidos estaria diretamente ligada à legalização do aborto."Quanto menos filhos menor violência". Para ele as jovens mães da Rocinha fabricam um número considerável de bandidos e quase ou nenhum herói. E na sua argumentação afirma: "Fico muito aflito. Tudo tem a ver com a violência. Você pega o número de filhos por mãe na Lagoa Rodrigo de Freitas, na Tijuca, Copacabana é padrão sueco. Agora pega a Rocinha. É padrão Zâmbia, Gabão. Isso é uma fábrica de produto marginal".


A retórica antifavela do governador continua através dos tempos e surge de forma ameaçadora contra os despossuídos. Em recente pronunciamento a respeito da enorme tragédia que tem assolado todo o estado, o "ilustre mandatário" culpou os mortos pela tragédia ocorrida. Para ele "tudo ocorreu de uma forma irresponsável, deveriam ter escolhido morar em outro lugar". O preconceito, o mito da marginalidade, o estigma que persegue os moradores das localidades, daqueles que consideram a favela como fonte de todos os males, "uma doença social, um tumor que deve ser extirpado cirurgicamente" permanece. As Unidades de Policia Pacificadora-UPPs vieram como solução para resolver "o problema das favelas", sem apresentar as melhorias prometidas à época de eleição, mas não cumpridas.

A prometida pacificação nas favelas cariocas ainda não veio

A falta de uma política habitacional que teria de vir em conjunto com profundas mudanças em toda a sociedade, não foi feita, e provavelmente nunca será. Devemos lembrar que o socorro aos estabelecimentos financeiros em uma das muitas crises do capital, foi infinitamente maior, que os recursos voltados para a construção de casas para a imensa população de favelados. Os mitos solidamente arraigados servem para fundamentar crenças pessoais e interesses da sociedade, e também para dificultar análises aprofundadas que viriam a desmistificar conceitos (e preconceitos) que continuam como verdades imutáveis moldando políticas públicas que afetam diretamente as populações das favelas e periferias urbanas.

obras do pac

obras do pac
inicio de obras ao lado do ciep ayrton senna